Categoria: Arte

Henri Cartier-Bresson


1908-2004


Castilla, Espanha - Cartier-Bresson (1953)



Faleceu na última segunda-feira, aos 96 anos, o fotógrafo Henri Cartier-Bresson.
Sendo, na minha opinião, o maior fotógrafo de todos os tempos, não poderia deixar de registrar aqui meu pesar sobre essa perda imensurável.

Acima, a sua foto que mais gosto, a que mais me faz viajar, embora não seja a que considero necessariamente a melhor: impossível comparar suas imagens e decidir pois, como bem disse Quintana, "tudo são formas e não degraus do ser".

Carpe Diem



T(E)=Arte



Carpe diem é expressão de origem latina significando "aproveite o dia".

Desde Horácio, o tema tem sido recorrente ao longo dos séculos. Apareceu no renascentismo francês, no barroco inglês e no arcadismo brasileiro, citando alguns exemplos.

Carpe diem também está presente na cultura oriental e, por incrível que pareça, até na poesia asteca, pré-colombiana¹. Embora os astecas não tivessem conhecimento de Horácio e muito menos de carpe diem ou de tempus fugit, já sabiam que tempo é arte (Zeit ist Kunst), conhecendo profundamente a fórmula da Lei do Tempo (T(E)=Arte)², mas como esse Blog não é esotérico, tampouco trata de física, não entrará em detalhes sobre a matéria.

De Horácio a Júdice muita coisa mudou na literatura e no mundo: permanente ainda é o desejo de aproveitar a vida ao máximo.

¹ APUD Josiane Toledo Ferreira Silva/Leila Moraes de Souza In: UM OLHAR SOBRE A LITERATURA DA AMÉRICA LATINA

² Jose Argüelles In: O Fator Maia
para saber mais sobre a Lei do Tempo, clique aqui



Ode XI
Quintus Horatius Flaccus (65 aC - 8 aC)


Tu ne quaesieris — scire nefas — quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoë, nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius, quicquid erit, pati!
seu plures hiemes, seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrhenum. Sapias, vina liques, et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem, quam minimum credula postero.

Não procures saber — os deuses não permitem — o fim que será dado a mim ou a ti, Leocone, nem busques saber a sorte dos números nos templos babilônicos. O quanto é melhor dedicar-se aos afazeres domésticos. Sejam, ainda, numerosos os anos que nos restam, ou seja este o último que devemos dar tributo a Júpiter, sem nunca mais ver as fracas águas baterem nas duras rochas do Mar Tirreno. Sê sábia, filtra teus vinhos, e o tempo passará célere. De inveja, o tempo voa enquanto falamos: colhe o dia de hoje, não te importes com o amanhã.

Trad.: Olegario Schmitt




Sonnet Pour Helène
Pierre de Ronsard (1524-1585)


Quand vous serez bien vieille, au soir, à la chandelle
Assise auprès du feu, dévidant et filant,
Direz, chantant mes vers et vous émerveillant:
"Ronsard me célebrait du temps que j?étais belle".

Lors vous n?aurez servante oyant telle nouvelle
Déjà sous le labeur à demi sommeillant
Qui, au bruit de Ronsard, ne s?aille réveillant,
Bénissant votre nom de louange immortelle.

Je serai sous la terre et, fantôme sans os,
Par les ombres myrteux, je prendai mon repos;
Vous serez au foyer une vieille accroupie,

Regrettant mon amour et votre fier dédain.
Vivez, si m'en croyez, n?attendez à demain:
Cueillez dès aujourd?hui les roses de la vie.




Carpe Diem William Shakespeare (1564 - 1616)


O mistress mine, where are you roaming?
O stay and hear! your true-love's coming
That can sing both high and low;
Trip no further, pretty sweeting,
Journey's end in lovers' meeting —
Every wise man's son doth know.

What is love? 'tis not hereafter;
Present mirth hath present laughter;
What's to come is still unsure:
In delay there lies no plenty, —
Then come kiss me, Sweet and twenty,
Youth's a stuff will not endure.




To the Virgins, to Make Much of Time Robert Herrick (1591 - 1674)


GATHER ye rosebuds while ye may,
Old time is still a-flying;
And the same flower that smiles today
Tomorrow will be dying.

The glorious lamp of heaven the sun,
The higher he's a-getting,
The sooner will his race be run,
And nearer he's to setting.

That age is best which is the first,
When youth and blood are warmer;
But being spent, the worse, and worst
Times still succeed the former.

Then be not coy, but use your time,
And, while ye may, go marry;
For, having lost but once your prime,
You may forever tarry.




Carpe Diem Nuno Júdice (1949)


Confias no incerto amanhã? Entregas
às sombras do acaso a resposta inadiável?
Aceitas que a diurna inquietação da alma
substitua o riso claro de um corpo
que te exige o prazer? Fogem-te, por entre os dedos,
os instantes; e nos lábios dessa que amaste
morre um fim de frase, deixando a dúvida
definitiva. Um nome inútil persegue a tua memória,
para que o roubes ao sono dos sentidos. Porém,
nenhum rosto lhe dá a forma que desejarias;
e abraças a própria figura do vazio. Então,
por que esperas para sair ao encontro da vida,
do sopro quente da primavera, das margens
visíveis do humano? "Não", dizes, "nada me obrigará
à renúncia de mim próprio — nem esse olhar
que me oforece o leito profundo da sua imagem!"
Louco, ignora que o destino, por vezes,
se confunde com a brevidade do verso.

Jovens Artistas I



Henrique e Guilherme Schmitt Medina



Rescém retornado de férias, reinicio o Sinal dos Tempos com ternos sinais de esperança: dois estudos sobre obras de Van Gogh feitos por jovens artistas, meus sobrinhos Henrique e Guilherme Schmitt Medina, de 5 e 7 anos, respectivamente.



Estudo sobre Girassóis de van Gogh
Henrique Schmitt Medina




Será que foi um pote de mel
Que escorreu nesse BLOG?
Não! O amarelo, é mais belo
Nos Girassóis de Hique-Gogh!




Estudo sobre Noite Estrelada de van Gogh
Guilherme Schmitt Medina




A noite grunhindo de estrelas
Sobre o céu profundo azulado.
Quem dera estivéssemos juntos
Sob essa Noite Estrelada...

Piggies





Veja o outro piggie no Blog de Cécil Braga e Chaves

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