Categoria: Arte

Para Andy III



Pop Corn - da série Para Andy



A Pop Art está para o penico de DuChamp (Fountain, 1917) assim como a m**** está para o seu ventilador (Rotary Glass Plates (Precision Optics), 1920), como se ela, espalhada sobre ele ou a roda de bicicleta (Bicycle Wheel/Roue de Bicyslette, 1913), abrisse definitivamente as portas para a decadência da arte moderna, criando espaço para que toda essa leva de artistas contemporâneos — cheios de conceitos mas vazios de sentido — pudessem se proliferar como verdadeiros descendentes do Gregor Samsa kafkaniano.

E inserida nesse contexto pós-penico-de-DuChamp está a Pop Art que, nos tempos "photoshopicos" atuais, tem seu sentido — se é que algum dia o teve — restrito unicamente à gratuidade contemporânea.

Apesar de minha própria arte nessa série — por se tratar de "cópia" de idéia pré-existente — não deixar de ter também seu lado duvidoso (bem à moda dos tempos modernos), ela não chega a ser gratuita, uma vez que busca ressaltar — obviamente segundo minha opinião — a futilidade de "boa" parte da arte moderna.

Para conhecer as outras obras dessa série feita carinhosamente "para Andy" e seus fiéis seguidores, acesse os artigos abaixo:



Ode à Alegria


Na sua nona e última sinfonia, completada em 1824, Beethoven musicou a ode An die Freude (À Alegria) de Friedrich Schiller, para solistas, coro e orquestra.

A ode original, reduzida, foi escolhida como hino da União Européia. Em 1989, em Pequim, estudantes transmitiram-na através de alto-falantes na Praça da Paz Celestial (Tiananmen) como protesto contra a tirania. Nesse mesmo ano, Bernstein conduziu uma performance celebrando a queda do Muro de Berlim, substituindo na execução a palavra Freiheit (liberdade) por Freude (alegria).

Antes de conhecer o referido poema e sua tradução, sempre fiquei imaginando qual seria o sentido por trás da composição.

A animação abaixo, antes de ser uma releitura do poema de Schiller é uma "leitura" da música de Beethoven, cujo sentido se origina nas emoções que a melodia me transmite.

Para Andy II



Campbell's Soup Can - Andy Warhol




Chimarrão Gaúcho - Série Para Andy - OleSchmitt

Para Andy I



Fucklyn - Série Para Andy






Two Fucklyns - Série Para Andy






Three Fucklyns - Série Para Andy






Four Fucklyns - Série Para Andy

Grupo da Estação



Grupo da Estação



Sempre que vou a Santa Maria/RS não deixo de visitar o atelier do Grupo da Estação. Formado por (da esquerda para a direita) Roosi Zanon, Luciana Medeiros, Camen Ligia Schmitz, Cristina Rios Leme e Graça Garcia, o atelier das gurias está instalado na gare da antiga Estação Férrea da cidade.

Apesar do descaso do poder público que não contribui com a recuperação e manutenção do prédio — até aqui nenhuma novidade —, esse grupo de artistas luta corajosamente para preservar, com muita arte, parte da memória de Santa Maria, ao mesmo tempo em que cria, com suas obras, novas memórias a serem perpetuadas.

Da última vez que lá estive, entre muita arte, taças de vinho e conversa boas, deixei duas intervenções nas paredes do atelier, tentativa de retribuição aos ótimos momentos passados em sua companhia.



Declaração de Amor




Poemosca em Teia de Aranha

A Maçã É Vermelha


Roteiro para esquete teatral



Esse roteiro é baseado em fatos reais. Por esse motivo, os "personagens" da história são tratados por nomes genéricos como Professor e Aluno, preservando-se suas identidades.

Professor: Sou um ser humano excepcional e ótimo professor. Adoro ser corrigido, pois penso não ser o detentor de todo Conhecimento.

Aluno (em pensamento): Que legal, um Homem de verdade. Tão raro hoje em dia...

Professor (escrevendo no quadro): A maçã é azul.

Aluno: Professor, eu já pesquisei o assunto e a maçã é vermelha.

O Professor permanece em silêncio.

Aluno (em casa, em pensamento): Que estranho... o Professor disse que poderia ser corrigido mas não reagiu nada bem à minha correção. No entanto, voltei a pesquisar o assunto e constatei que a maçã realmente é vermelha. Vou relatar isso a ele porque o Conhecimento é mais importante do que tudo.

Aluno (para Professor, via e-mail): Caro Professor, espero que você não se importe de eu estar lhe corrigindo novamente, mas tornei a pesquisar o assunto e a maçã realmente é vermelha. Segue abaixo a bibliografia.

Na próxima aula, o Professor permanece em silêncio, novamente.

Professora (em aula sobre educação, sobre o papel do professor na formação do aluno): O professor não é o detentor de todo o Conhecimento. Muitas vezes o aluno sabe de coisas que o professor não sabe e, assim, estabelece-se uma troca. A função do professor é a de mediador entre o Conhecimento e o aluno.

Aluno: Professora, há alguns dias um Professor escreveu no quadro "A maçã é azul". Como eu já tinha pesquisado sobre o assunto, disse "Professor, a maçã é vermelha". O Professor agiu como se não estivesse ouvindo. Mais tarde, em casa, tornei a pesquisar sobre o assunto e enviei e-mail para o professor, citando bibliografia, reafirmando que a maçã realmente era vermelha. Ele mais uma vez fez de conta que nada havia acontecido. Qual postura tomar diante desse fato, Professora?

Professora: Você deve ter se dirigido ao Professor em tom de voz inadequado.

Aluno: Não senhora, Professora. Falei com ele no mesmo tom de voz que estou falando com você agora.

Professora: Você não deveria ter corrigido o Professor na frente de toda a turma, deveria ter o chamado a um canto e exposto o problema.

Aluno: Isso quer dizer que o erro foi meu?

Professora: Não, de forma alguma. Mas deve-se tomar cuidado escolhendo o tom de voz e o momento adequados.

Aluno: Isso quer dizer então que, em primeiro lugar, devo me preocupar em não ferir a vaidade do Professor, para depois, e apenas depois, estabelecer o Conhecimento? Isso significa que a pequenez humana se sobrepõe ao Conhecimento?

Professora (visivelmente irritada): Não, não é isso. Não se pode generalizar.

Aluno: Mas foi isso que a Senhora disse.

Professora: Esse é um assunto complicado.

Aluno (em pensamento): É muito triste: a pequenez humana realmente se sobrepõe ao Conhecimento. Foi assim durante a Inquisição, durante a Ditadura e assim continua sendo na democracia selvagem do mundo moderno...

Desce o pano. Ninguém aplaude.

Mafalda




Ela é uma menininha, mas já tem 40 anos (completados no último 29/09).

Criação de Joaquín Lavado, o Quino, é desprezada por seu próprio "pai" desde a mais tenra infância, sendo por ele relegada a segundo plano e considerada "morta" em 1973. Quino ainda não consegue entender o seu sucesso. Em entrevista ao jornal Clarín, declarou: "Se ela ainda é lida como antes, para que continuar desenhando-a? Uma vez me perguntaram se eu não gostaria de ressuscitá-la. Ressuscitar significa que algo está morto".

Apesar do desprezo de seu criador, a menininha continua tão viva quanto sempre na admiração de seus fãs: como não apaixonar-se por essa baixinha de cabeça redonda, revolucionária contestadora que odeia sopa e ao mesmo tempo é profunda questionadora do mundo, seus contrastes e injustiças?

Acompanhada de seus inseparáveis amigos — cada um com características mui peculiares representando, de certa forma, alguns tipos que formam nossa sociedade — Mafalda passeia por temas nada infantis como filosofia e política.

Manolo, menino de baixo nível sócio-cultural e de burrice folclórica, trabalha desde a tenra infância no armazém de seu pai. Dotado de um faro comercial "apurado" aliado a um capitalismo ferrenho — seu sonho é montar sua própria rede de armazéns, a Manolo's — é uma "sutil" crítica aos workaholics capitalistas, mais interessados em ganhar dinheiro do que adquirir alguma cultura e apreciar as belezas da vida.

Já Suzanita, de classe social mais elevada, é extremamente fofoqueira, egoísta e maldosa, sem papas na língua no que se refere a magoar seus amigos e pisotear os menos afortunados. Seu projeto de vida consiste em casar na igreja, com véu e grinalda, ter muitos filhos e ser dona-de-casa. Quem nunca conheceu alguém assim?

Por outro lado, temos o Miguelito, de pureza, doçura e ingenuidade únicas. De auto-estima extremada e dado a associações e conclusões nada convencionais sobre as coisas, esse gorduchinho de cabelos de alface é um encanto!



Amiga mais recente, Liberdade é uma criança diminuta, filha de pais recém-formados que lutam arduamente para sobreviver e pagar as prestações do apartamento: sua mãe é tradutora de francês e não se sabe ao certo em que seu pai trabalha. Segundo ela, ele sempre diz "não sei o que estou fazendo lá, naquele empreguinho de coisa nenhuma". Filha clássica de estudantes político-revolucionários, ela gosta de gente simples, indo ao extremo no que se refere a isso. Nos diálogos entre Liberdade e Suzanita percebe-se, de maneira mais ou menos sutil, o conflito entre a classe desfavorecida, que luta para sobreviver, e a classe mais rica.

Filipe é o mais problemático de todos. Extremamente neurótico, vive em conflitos entre o dever e o querer. Sua vida é um dilema constante e seu maior drama, além de ser apaixonado por uma menina mais velha para quem não tem coragem para se declarar, é conseguir decidir o que será quando crescer.

Por último, Guile, o irmãozinho mais novo de Mafalda apaixonado por Brigitte Bardot, é uma figura. Seguindo de perto os passos revolucionários da irmã, já formula suas próprias dúvidas filosóficas, à sua maneira.

Quino foi bastante feliz na criação desses personagens, assim como na escolha das suas características psicológicas e sociais. Rir de uma tirinha da Mafalda é como rir de nós mesmos e as críticas que essa menina fazia nas décadas de 60 e 70 ainda são extremamente atuais.

A Fotografia, Essa Velha de 165 Anos



OlEscher (Auto-Retrato)



Fotografia: do grego photós (luz) + graphía (escrita) = escrita da luz.


Câmera Escura

A fotografia tem sua origem a partir da síntese de diversas observações e inventos ao longo dos séculos. Alguns historiadores dizem que o conceito da Câmara Escura teve sua origem com o chinês Mo Tzu, no século V a.C., outros que surgiu com Aristóteles (384-322 a.C).

Diz-se que Aristóteles, enquanto observava um eclipse solar sentado embaixo de uma árvore, viu que os seus raios, passando por um pequeno orifício entre as folhas, projetavam a imagem do eclipse no chão. Percebeu também que quanto menor o orifício, mais nítida era a imagem.

Durante os séculos obscuros da cultura européia, com os conhecimentos gregos resguardados no oriente, Ibn al Haitam (965-1038), o Alhazem, um erudito árabe, observou um eclipse na Câmara Escura, na Corte de Constantinopla, no início do século VI.

Nos séculos seguintes, a Câmara Escura tornou-se comum entre os sábios europeus. Utilizada sempre para a observação de eclipses solares foi somente mais tarde, no século XIV, recomendada como auxiliar ao desenho e à pintura.

A primeira câmara escura era grande o suficiente para permitir a entrada de um homem, mas no início do séc. XVII o equipamento era uma liteira ou uma tenda, possibilitando que fosse transportada para o campo para esboços de paisagens.


A primeira: Joseph Nicéphore Niépce, 1826

A primeira pessoa a conseguir o registro permanente de uma imagem foi o físico francês Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833). Seu registro, ocorrido em 1826, foi obtido expondo-se uma placa metálica sensível a luz (peltre) durante oito horas, e existe até hoje.

Na década de 1830, o inventor francês Louis Jacques M. Daguerre (1787-1851) produziu a primeira forma popular de fotografia: o daguerreótipo. Colaborador de Niépce por vários anos, Daguerre expôs uma placa metálica sensível à luz e revelou a imagem com vapor de mercúrio, lixando-a com sal comum.


Auto-Retrato - Louis J. Daguerre (daguerreótipo)

Daguerre anunciou o seu processo em 19 de agosto de 1839, sendo essa a data oficialmente aceita como o início da fotografia. Ainda em 1839, o cientista britânico William H. E. Talbot (1800-1877) anunciou que havia inventado o papel sensível à luz. Esse papel, recoberto com sal e nitrato de prata, produzia um negativo a partir do qual se obtinham as cópias.

Já na Inglaterra, Willian Henry Fox-Talbot (1800 - 1877), tentando fugir da patente do daguerreótipo em seu país e solucionar suas limitações técnicas, pesquisava outras fórmulas de impressionar quimicamente o papel, criando um processo chamado talbotipia. Talbot publicou em 1844 o primeiro livro do mundo ilustrado com fotografias, The Pencil of Nature, sendo também ele o inventor do primeiro negativo, feito então com papel de boa qualidade.


Antoine Florence: fotografia obtida no Brasil por contato sob ação da luz solar, c. 1833

Não podendo esquecer, de forma alguma, o francês Antoine Hercules Romuald Florence, chegado ao Brasil em 1824 e que, sem qualquer conhecimento do que realizavam seus contemporâneos europeus Niépce, Daguerre e Talbot, obteve registros fotográficos utilizando com a câmara escura uma chapa de vidro e papel sensibilizado para a impressão por contato.

Em 1859, Baudelaire, refletindo o impacto causado pela fotografia na intelectualidade européia, acreditava que a sua precisão deixava pouco ou nenhum espaço para a imaginação.


Baudelaire: a fotografia não passa de refúgio de todos os pintores frustrados

Disse ele: "se à fotografia for permitida suplementar a arte em algumas de suas funções, logo tê-la-á suplantado ou corrompido completamente. Agradecimentos à estupidez da multidão, que é sua aliada natural", dizendo também: "a fotografia não passa de refúgio de todos os pintores frustrados e que a fotografia era como uma arte absoluta, um Deus vingativo que realiza o desejo do povo... e Daguerre foi seu Messias... Uma loucura, um fanatismo se apoderou destes novos adoradores do sol!"

Baudelaire "esquecido" e sendo a fotografia mais cativante para as pessoas do que suas declarações, foi em 1888, com o advento das câmeras Kodak e o sistema de impressão de meio-tons, que a fotografia foi levada ao alcance das pessoas comuns.

Embora a fotografia colorida tenha sido inventada pelos irmãos Lumière em 1904 através do processo autocromo, sua popularização deu-se apenas em 1935, quando a Kodak passou a distribuir o filme Kodachrome.

Atualmente, com o advento da fotografia digital, filmes não são mais necessários, embora os princípios básicos da fotografia ainda sejam os mesmos do século V a.C., mudando apenas a forma de registrá-la.

Na geração megapixel, "fotógrafos de verdade" ainda sentem uma atração irresistível pelo controle absoluto no processo fotográfico: nada pode substituir o prazer e o suspense de revelar um negativo ou de ver a imagem surgir à sua frente, no papel mergulhado em produtos químicos.

Agosto Fotográfico


Agosto trazendo ótimas surpesas: duas fotos selecionadas no Concurso Fotográfico Cidade de Santa Maria, terceiro lugar e menção honrosa na categoria preto-e-branco. Esse concurso, nacional, é paralelo ao Concurso Literário Felippe D´Oliveira.



Trilhos - 3º Lugar




Luz no Fim do Túnel - Menção Honrosa


Sem ter a intenção de vanglória, porque toda glória é vã, quis apenas compartilhar essa conquista e, para mostrar que na vida nem tudo é vitória, estão publicadas no site www.oleschmitt.com.br</a> novas Pictografias e, na seção Prosa, a crônica Esticadas, com as quais não ganhei absolutamente nada.

Henri Cartier-Bresson


1908-2004


Castilla, Espanha - Cartier-Bresson (1953)



Faleceu na última segunda-feira, aos 96 anos, o fotógrafo Henri Cartier-Bresson.
Sendo, na minha opinião, o maior fotógrafo de todos os tempos, não poderia deixar de registrar aqui meu pesar sobre essa perda imensurável.

Acima, a sua foto que mais gosto, a que mais me faz viajar, embora não seja a que considero necessariamente a melhor: impossível comparar suas imagens e decidir pois, como bem disse Quintana, "tudo são formas e não degraus do ser".

Página: << 1 2 3 4 >>