Nalú Nogueira III



o ipê
    Nalú Nogueira e Olegario Schmitt

Eu tenho um ipê tão alto
que uso seu caule-telégrafo
para conversar com os anjos
em pancadinhas em morse.

Nas folhas verdes-pulsantes
                em meu morsear poético e
                tantas vezes patético
peço urgências providências
para acalmar a dor que sinto.

Noutros dias vou subindo,
tardes indo me esconder no
ipê florido, lá do alto mar azuis
e céu lilases, outros, sangues
                e a minha tristeza exangüe
                e o meu cantar colorido.

Tardes indo, anjos vindo.
E o vento gordo ventando.
E as folhas do ipê balançando.
E a luz da vida sorrindo.



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