A Flauta Mágica de Bergman



Papageno e Tamino



Diretor: Ingmar Bergman
Intérpretres: Josef Köstlinger (Tamino), Irma Urrila (Pamina)
                     Håkan Hagegård (Papageno), Elisabeth Erikson (Papagena)
                     Ulrik Cold (Sarastro), Birgit Nordin (Rainha da Noite)
Suécia | 95min | Cor | 1975



O interessante desse filme foi a maestria com que Bergman adaptou a obra de Mozart à linguagem cinematográfica.

Muitas vezes “adaptação”, “transcodificação”, significa necessariamente perda, abrir mão de alguns elementos presentes em um meio de expressão em detrimento de outro. Vale lembrar que é a transposição de uma obra (ópera, palco) em outra (cinema, película).

No entanto, talvez o termo mais adequado fosse mesmo “recriação”, ou “transcrição”: Bergman transcreveu Mozart para o cinema, aproveitando-se de elementos que apenas este pode fornecer.

Os atores-intérpretes são excelentes, a maioria deles desconhecidos. A cenografia e a iluminação exuberantes. A direção nem se fala: é Bergman. É Mozart.

Detalhe à parte é o amor do destrambelhado Papageno por sua Papagena. Não adianta: sempre gosto mais do populacho. São mais espontâneos e, ao meu ver, mais naturais, mais possíveis.

A cena da Rainha da Noite é impressionante, com toda a sua perfídia e maldade exacerbadas pela atuação da intérprete e pela iluminação à altura das características psicológicas da personagem.

Sarastro, assim como TODOS os personagens, também foi muito fielmente retratado, do alto de seu extremo senso de justiça com seu coração de leão e quando Papageno finalmente encontra Papagena no final, o coração arde de felicidade e satisfação.

Uma linda história de amor, mas que retrata no fundo a história da natureza humana.

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