Os Super-Heróis no Divã

Sigmund Hulk (Arte Digital) - OleSchmitt
Todo mundo tem um super-herói preferido. Adultos e crianças, em escalas variadas, identificam-se com as figuras míticas, fortes e invencíveis dos heróis ficcionais.
Em segundo plano, porém, sempre recobertas por misteriosa névoa, ficam suas características psicológicas. Analisando os super-heróis em conjunto, na imensa maioria são órfãos que tiram sua força de algum trauma que tenha ocorrido em suas vidas, principalmente na infância.
Por mais "normal" que um super-herói possa parecer à primeira vista, o fato em si da dupla personalidade (Clark Kent - Super-Homem, Bruce Banner - Hulk, Peter Parker - Homem-Aranha, ...) já caracteriza uma personalidade psicótica.
Quando o Dr. Bruce Banner, esquizofrênico que vive em luta constante contra seu monstro interior, é vencido por sua personalidade agressiva interiorizada, aflora de suas entranhas o potencial destrutivo na forma de seu alter-ego Hulk. O monstrengo verde permite ao Dr. Bruce lidar com sua identificação projetiva e assim, projetando-se em Hulk, escapar da culpa ou, ainda, encontrar aí a coragem para reagir diante de situações contra as quais sente-se impotente. Essa característica de sua personalidade, que mais tarde tomou proporções drásticas ao ser atingido por radiações gama, desenvolveu-se ainda na infância, quando teria sofrido agressões por parte de seu pai.
Peter Parker, o Homem Aranha, carrega consigo o trauma da morte de seus pais quando ainda era criança, em acidente de carro, além da culpa pela morte de seu tio, morto em assalto. No dia-a-dia Parker é desajeitado, tem problemas na administração de sua vida financeira e, devido à necessidade de manter sua dupla personalidade em segredo, tem dificuldades para formar e manter relacionamentos.
Já Bruce Wayne, o Batman, presenciou em criança o assassinato de seus pais. Buscando vingança, tornou-se mais tarde o herói violento e taciturno que é. Constantemente perseguido por seu trauma de infância, com as imagens trágicas a todo momento ressurgindo na sua mente sombria, Bruce é monossilábico e cínico, mantendo-se sempre à margem do meio social.
Robin, amigo inseparável de Batman, era trapezista de circo e, por sua vez, não foge à regra da orfandade traumática: presenciou a morte de seus pais em pleno picadeiro, após sabotagem do equipamento de segurança. Bruce Wayne, que estava lá na noite do homicídio, culpa-se por não ter podido evitar a tragédia.
Parêntese à parte é a relação misteriosa desses dois, que já foi tema de estudo aprofundado por parte do psiquiatra americano Frederic Werthand que, no seu livro The Seduction of the Innocents, defende a tese de que o seriado de Batman e Robin promovia a homossexualidade nos puros lares americanos: "(Batman e Robin) transmitem a sensação de que nós, homens, devemos nos manter juntos porque há muitas criaturas malvadas que têm que ser exterminadas. (...) Às vezes, Batman acaba numa cama, ferido, e mostra-se o jovem Robin sentado ao seu lado. (...) Vivem em aposentos suntuosos com lindas flores em grandes vasos. Batman é, às vezes, mostrado num robe de chambre... é como um sonho de dois homossexuais vivendo juntos". "Santa-Imaginação!", diria Robin?
Apenas citando mais alguns exemplos de órfãos traumatizados, temos o Super-Homem (seus pais morreram na explosão do planeta Krypton), Capitão Marvel (pais mortos a mando do "famoso doutor Silvana"), Fantasma (pai morto por piratas), Pantera Negra (o pai, rei de Wakanda, foi assassinado) e Zagor (toda a família assassinada por índios). Aliás, o ideal seria citar, se eu conseguisse nomear algum, apenas aqueles que não tiveram seus pais mortos de forma trágica.
Após analisar essas características assustadoras da personalidade dos nossos tão estimados super-heróis, resta a certeza de que é melhor ser um simples mortal bem resolvido com seus traumas do que ser um super-herói problemático.
6 comentários
a biografia do autor de Alice no Pais das maravilhas diz que ele apreciava muito a cia de crianças, e que uma em especial o inspirou na criação de Alice.
Não haveria aí um sinal de pedófilo? se prestarmos bem atenção o conto é assustador por parte dos personagens: um chapeleiro louco, um gato sínico, rainhas assassinas, uma lagarta fumando maconha, etc.
Veja o texto, sob minha ótica:
Alice no País das Maravilhas
Corre Alice, corre Alice
Pra longe desse coelho maldito!
Corre Alice, corre Alice
Pra longe do Gato Risonho,
Que de bom
Só o desejo lhe tem!
Corre Alice, não pára...
...esquece o narguilê da lagarta,
A fumaça doce do pensar
Dos que não viram borboletas!
Corre Alice!Que aí vêm as Rainhas de Copas
Invejosas de sua infância!
“___ Cortem-lhe a cabeça! Cortem-lhe a cabeça!”
Gritam esganiçadas as chatas de vontade ruim!
Corre Alice, corre Alice
E cai na real do país das fábulas,
Bordel de gente castrada,
Fantasias de crianças mortas
Que buscam no teu corpo infanto
As maravilhas profanas dos pródigos de felicidade!
Corre Alice,
Enquanto lhe sorri a infância de alma limpa!
Nós, pobres mortais, é que somos uma cx de pandora!!!!!!!
PS.: Alice é minha história preferida, porque é a que considero psicologicamente mais rica (e assustadora e intrigante).
Quanto à projeção, não cabe aqui pensar na minha projeção nos heróis — até mesmo porque nunca gostei de nenhum deles — mas cabe, isto sim, pensar na projeção do AUTOR do super-herói na figura deste.
Quanto a "colocar os outros no divã é fácil", então por que, afinal, você quer me colocar em um? Seria sua identificação projetiva tentando dizer-lhe que procure ajuda adequada?
Nunca havia me atentado para isso, agora posso imaginar pq sempre impliquei com um determinado Super-herói...
Mas continuem estava gostovo de ver (LER).
Bjus
Meus Heróis



