O Gado de Nietzsche

Nietzsche estava certo ao afirmar que o povo é como gado.
Sejamos, portanto, compreensivos — jamais complacentes — com a massa.
A matéria bruta não assimila o etéreo: não lê poesia e acha Vivaldi um chato. Prefere revistas de moda e batidas de martelo.
O gado não diz obrigado, não pede desculpas, desconhece o que sejam sentimentos nobres.
Pesando os chifres sobre suas cabeças, olha na direção em que suas almas apontam: o chão. Por isso são tristes e andam de cabeças baixas.
E na sua existência, fora a cria, o pasto e a bosta, nada mais faz sentido.



