Fotografia

Discursos fotográficos — a imagem através da palavra.

Fotografia

Uma mas­tur­ba­ção intelecto-fotográfica

Publicado em 26 de fevereiro de 2010 por Olegario Schmitt

Série Liserg Lili­put Lexico

Inde­pen­den­te­mente de quan­tas elas sejam — o Mani­festo das Sete Artes de Canudo1 já está démodé há algum tempo — e considerando-se seus res­pec­ti­vos pro­ces­sos cri­a­ti­vos, tal­vez a foto­gra­fia possa ser con­si­de­rada a arte mais celi­ba­tá­ria de todas.

Obvi­a­mente toda forma de cri­a­ção artís­tica suben­tende a exis­tên­cia daquele momento de soli­dão onde o artista se isola com­ple­ta­mente do mundo externo, entrando nessa espé­cie de estado de transe, de fre­nesi criativo.

O que parece dife­ren­ciar a foto­gra­fia das outras artes é que música, dança, pin­tura, escul­tura, tea­tro, lite­ra­tura, cinema, etc., são mani­fes­ta­ções cujo ato de cri­a­ção se dá na parte de fora do artista. “exo­ar­tes“Enquanto o musi­cista está com­pondo, as notas musi­cais são mani­fes­ta­das em forma de sons ou de par­ti­tu­ras escri­tas, o escri­tor mate­ri­a­liza as pala­vras, o coreó­grafo neces­sita ensaiar seus pas­sos de dança no espaço físico extra­cor­pó­reo, e assim por diante. Com a licença da expres­são, no que se refere à forma de cri­a­ção, estas tratam-se de exo­ar­tes.

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Deixe de macaquices!

Publicado em 03 de novembro de 2009 por Olegario Schmitt

Ele­men­tar: foto-grafia, escrita da luz.

Aque­les que “batem” fotos uti­li­zam muito a expres­são foto­gra­fia ana­ló­gica... As pes­soas inven­tam cada coisa, não é?! Pri­meiro, não entendo o porquê de tanto ódio, dessa neces­si­dade de ficar batendo na foto como se ela tivesse feito alguma coisa de ruim. Segundo... o que exa­ta­mente quer dizer “analógico”?

Ana­ló­gico vem de ana­lo­gia, ou seja, é algo que apre­senta rela­ção ou seme­lhança entre coi­sas ou fatos. Con­si­de­rar uma foto­gra­fia como sendo ana­ló­gica, por­tanto, é retro­ce­der ao pen­sa­mento“ana­ló­gico: seme­lhança” posi­ti­vista dis­se­mi­nado no século XIX que con­si­de­rava a foto­gra­fia como “cópia exata, repro­du­ção fiel da rea­li­dade”. Ou seja, quem diz “foto­gra­fia ana­ló­gica” está dizendo de maneira implí­cita que a foto­gra­fia é algo mera­mente cien­tí­fico, jamais sendo fruto de cri­a­ção e/ou inter­pre­ta­ção por parte do agente por trás da câmera.

Dessa forma, dizer “foto­gra­fia ana­ló­gica” é o mesmo que cha­mar o fotó­grafo de macaco, ou seja, de mero aper­ta­dor de botões. Não que estes não exis­tam, mas na parte que me toca, acre­dito (ou pre­firo acre­di­tar) que faço bas­tante pro­veito dos 3% de carga gené­tica que me dife­ren­ciam de um chim­panzé. Por­tanto, se você diz “foto­gra­fia ana­ló­gica” saiba que o macaco, na ver­dade, é você.

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Uma série foto­grá­fica abusada?

Publicado em 18 de julho de 2009 por Olegario Schmitt

E-book grá­tis

Publicado em 29 de junho de 2009 por Olegario Schmitt

Tudo o que você que­ria saber sobre Pano­ra­mas mas não tinha para quem per­gun­tar é um e-book que dis­corre sobre pano­ra­mas, como cap­tu­rar as ima­gens para criar um pano­rama, softwa­res uti­li­za­dos, difi­cul­da­des, limi­ta­ções téc­ni­cas, etc.. Tudo expli­cado passo-a-passo e de maneira bem didática.

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Entenda quando os mar­gi­nais se tor­nam Senhores

Publicado em 11 de junho de 2009 por Olegario Schmitt

Qual a sua opi­nião sobre picha­ções?” foi a única per­gunta feita a tra­ba­lha­do­res, comer­ci­an­tes, mora­do­res e tran­seun­tes de uma deter­mi­nada rua de São Paulo.

Algu­mas de suas res­pos­tas estão nesse vídeo.

Cha­pas de vidro e cla­ras de ovo

Publicado em 14 de março de 2009 por Olegario Schmitt

Edward Cur­tis — Chefe Joseph (1908)

Expo­si­ção: Edward Cur­tis
Cura­do­ria: Chris­topher Cardozo/João Kulc­sár
Data: 14/03/2009
Local: Caixa Cul­tu­ral São Paulo (Sé)


Não pode­ria per­der jamais a expo­si­ção do “cara” que foto­gra­fou o Chefe Joseph, uma vez que toda vez que penso em índio ame­ri­cano, logo me vem à mente essa foto de Curtis.

Tra­ba­lho emo­ci­o­nante: Cur­tis cap­tou de tal maneira cada cena, cada cená­rio, cada luz, cada expres­são, que foi uma grande aula de foto­gra­fia e de humanidade.

Des­ta­que a parte tam­bém para a imensa vari­e­dade de téc­ni­cas uti­li­za­das pelo fotó­grafo. Posso citar, entre outras, vira­gem em pla­tina, cia­nó­ti­pos, e uma tal de “vira­gem em ouro”, téc­nica desen­vol­vida por ele mesmo, que deixa a foto com fundo dourado.

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Sen­si­bi­li­dade à flor da pele

Publicado em 01 de março de 2009 por Olegario Schmitt

Pen­sando em Ris­te­lhu­e­ber (Paris, 01/03/2009)

Expo­si­ção: Sophie Ris­te­lhu­e­ber
Cura­do­ria: Marta Gili
Data: 01/03/2009
Local: Jeu de Paume – Paris/França


Fotó­grafa inte­res­san­tís­sima e bas­tante com­pe­tente, a qual eu não conhe­cia anteriormente.

Sua expo­si­ção, con­co­mi­tante à de Robert Frank, ocu­pava espaço expo­si­tivo bas­tante amplo, com pé direito de apro­xi­ma­da­mente 3 metros de altura. As ima­gens, apro­xi­ma­da­mente 30, qua­dra­das e em tama­nho grande (aprox. 1,5m x 1,5m), mos­tra­vam tex­tu­ras pra­ti­ca­mente abs­tra­tas for­ma­das por coi­sas des­truí­das em decor­rên­cia da explo­são de bom­bas no Iraque.

Note-se que essa é uma temá­tica recor­rente da fotó­grafa, con­forme tive a chance de pes­qui­sar mais tarde: ela regis­tra as cica­tri­zes dei­xa­das na terra em decor­rên­cia da ocu­pa­ção humana, prin­ci­pal­mente atra­vés da guerra. Seus temas geral­mente mos­tram res­tos de explo­sões ou incên­dios, estra­das des­truí­das por bombas.

Mui­tas ima­gens aéreas, o a série inteira pra­ti­ca­mente uma mono­cro­mia, onde pre­do­mi­na­vam os tons ama­re­la­dos e ocres. Uma das ima­gens dessa série mos­trava uma estru­tura car­bo­ni­zada no meio do deserto, cujo esque­leto de apro­xi­ma­da­mente 3 metros de altura lem­brava muito o de uma câmera fotográfica.

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Impres­sões

Publicado em 01 de março de 2009 por Olegario Schmitt

Fila para a expo­si­ção (Paris, 01/03/2009)

Expo­si­ção: Robert Frank
Cura­do­ria: Ute Eskildsen/Marta Gili
Data: 01/03/2009
Local: Jeu de Paume – Paris/França


A prin­cí­pio não gosto muito de Robert Frank. Reco­nheço, evi­den­te­mente, a impor­tân­cia his­tó­rica e a qua­li­dade de seu tra­ba­lho, mas há diver­sos outros fotó­gra­fos que apre­cio bem mais — note que nem entra­rei no mérito de ele ter influ­en­ci­ado a sofrí­vel gera­ção beat­nik. De qual­quer forma, uma expo­si­ção des­sas não é opor­tu­ni­dade que se deixe passar.

As fotos — ampli­a­ções ori­gi­nais, assi­na­das — de seu livro The Ame­ri­cas, quando expos­tas fora do con­texto do livro per­de­ram bas­tante o sen­tido, além do que, as que mais me cha­mam a aten­ção não esta­vam expos­tas lá. Entende? Você vai a um lugar espe­rando ver “aquela” foto que você tanto gosta e ela sim­ples­mente não está lá.

Apro­xi­ma­da­mente 10 The Ame­ri­cas esta­vam dis­pos­tos sobre uma série de ban­cos ocu­pando o cen­tro do espaço expo­si­tivo, todos eles per­fu­ra­dos de maneira gro­tesca, por onde foi pas­sado um cabo de aço (mesmo) evi­tando assim que os livros fos­sem rou­ba­dos. Considerando-se diver­sas popu­la­ções caren­tes ao redor do mundo que não têm acesso a essa obra, con­si­de­rei essa cre­ti­nice à altura do fotó­grafo e de seus segui­do­res (leia-se: Jack Kero­auc, o pária).

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