Fotografia

Discursos fotográficos — a imagem através da palavra.

Fotografia

Projeto para estúdio fotográfico de moda gaudério

Publicado em 15 de novembro de 2012 por Olegario Schmitt

Dorotéia do Gumercindo, über-model

Nós, gaúchos, temos o hábito de fazer tudo à nossa maneira. Dessa feita, torno público meu projeto de estúdio fotográfico de moda ao estilo gaudério, sob as seguintes diretrizes:

Ambientação

A tafona O estúdio deverá ter chão de barro batido e ser ricamente decorado com rodas de carreta, cadeiras campeiras de tábua recobertas de pelego e tapetes de couro de gado in natura.

As pinturas deverão ser ilustrações do Delafuente ou do Macanudo Caudilho.

Como banquetas, deverão ser utilizadas toras de guajuvira.

O fogo deverá ser aceso uma única vez a partir de uma fagulha da chama crioula, e será mantido com lenha de cerno de angico, pra mostrar que o estúdio é fino.

Equipamentos

Os fundos das fotos deverão ser de couro curtido, uma vez que o rebanho oferece suficientes gamas de cores para tais fins (como por exemplo brasino, azulego e barroso, mais do que isso já é frescura).

A iluminação deverá ser feita de lampiões a querosene e os tripés de taquara atada com tentos de couro.

As fotografias deverão ser produzidas em daguerreótipos ou utilizando a técnica do colódio úmido. Para o caso do colódio úmido, deverão ser utilizados ovos de galinhas da campanha para maior sustânça nos meios-tons.

Na necessidade de uso de flash, ele deverá ser feito de pórva moída no pilão.

Vestuário dos Peões

Bota e bombacha, lenço vermelho.

É terminantemente proibido assistente de bombacha cor-de-rosa. Lenço de paetê também não vale e muito menos bombacha grudadinha nas pernas, ou slim-fit.

O fotógrafo é o único que pode usar esporas dentro do estúdio.

Vestuário das Prendas

As prendas, obviamente, devem usar vestido de prenda. Não vale “dar um truque” num vestido Armani e dizer que é de prenda. Também não vale vestido mais comprido que o normal pra poder usar salto-alto escondido por baixo.

Personal styling

Serão aceitas apenas tatuagens com temática tradicionalista, como por exemplo o desenho do mapa do Rio Grande, o Negrinho do Pastoreio e temas eqüestres. No caso dos mais moderninhos, poderá ser aceita apenas a figura do Laçador, mas nenhum outro tipo de tatuagem.

A admissão de peões de lenço branco no interior do recinto deverá se dar apenas em casos mui especiais, após votação em equipe.

Comes e bebes

Equipe boa é equipe gorda e faceira: os appetizers deverão ser compostos de torresmo, morcilha picadinha e lingüiça de porco. Não vale lambuzar os beiços de banha e dizer que é gloss.

Pra adoçar o bico, guavirova, guapuriti, ariticum, mel de lixiguana e pitanga quando for tempo de pitanga.

A única bebida permitida é o chimarrão. Pra o caso da Giselle aparecer poderá ser aberta uma exceção para o mate-doce. Mas que ela fique desde já avisada: se mexer na bomba vai ser botada a joelhaço pra fora, porque ela pode até ser a Giselle, mas tem coisa que não se perdoa.

Atenção aos fumantes

Somente serão aceitos cigarros de palha feitos de fumo de corda da campanha picado à faca. Não vale misturar sálvia ou outras excentricidades no fumo. Caporal também não vale, porque já vem picadinho.

Trilha sonora

Todas do Mano Lima e os sucessos antigos do Cenair Maicá, tocadas ao vivo na gaita ponto. Se no meio da seção de fotos der ganas da gauchada cair no fandango, a atitude é fortemente incentivada, desde que não se derrube os equipamentos, principalmente os lampiões de querosene.

Prova de admissão

Antes de ser contratada, a equipe de produção deverá responder a prova teórica e prática de tendências fashion e lidas campeiras. Saber cevar o mate é quesito eliminatório. Também é imprescindível saber falar três idiomas, a citar: o campesino, o fronteiriço e o missioneiro.

Dinâmicas de grupo

As dinâmicas de grupo serão compostas por dança do facão para os peões e do João Balaio para as prendas.

Dissidências de opinião serão decididas na chula.

Nos dias de inverno, haverá rodas de causos gauchescos regadas a mate ao redor do fogo. E nos dias de verão a mesma coisa, só que longe do fogo.

Série de fotogramas

Publicado em 01 de setembro de 2012 por Olegario Schmitt

Série de fotogramas representando relações psicológicas ou financeiras de poder existentes na guerra dos sexos através do uso dos movimentos de tensão, libertação, interpenetração e transcendência das formas.

Uma masturbação intelecto-fotográfica

Publicado em 26 de fevereiro de 2010 por Olegario Schmitt

Série Liserg Liliput Lexico

Independentemente de quantas elas sejam — o Manifesto das Sete Artes de Canudo1 já está démodé há algum tempo — e considerando-se seus respectivos processos criativos, talvez a fotografia possa ser considerada a arte mais celibatária de todas.

Obviamente toda forma de criação artística subentende a existência daquele momento de solidão onde o artista se isola completamente do mundo externo, entrando nessa espécie de estado de transe, de frenesi criativo.

O que parece diferenciar a fotografia das outras artes é que música, dança, pintura, escultura, teatro, literatura, cinema, etc., são manifestações cujo ato de criação se dá na parte de fora do artista. “exoartes”Enquanto o musicista está compondo, as notas musicais são manifestadas em forma de sons ou de partituras escritas, o escritor materializa as palavras, o coreógrafo necessita ensaiar seus passos de dança no espaço físico extracorpóreo, e assim por diante. Com a licença da expressão, no que se refere à forma de criação, estas tratam-se de exoartes.

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Deixe de macaquices!

Publicado em 03 de novembro de 2009 por Olegario Schmitt

Elementar: foto-grafia, escrita da luz.

Aqueles que “batem” fotos utilizam muito a expressão fotografia analógica… As pessoas inventam cada coisa, não é?! Primeiro, não entendo o porquê de tanto ódio, dessa necessidade de ficar batendo na foto como se ela tivesse feito alguma coisa de ruim. Segundo… o que exatamente quer dizer “analógico”?

Analógico vem de analogia, ou seja, é algo que apresenta relação ou semelhança entre coisas ou fatos. Considerar uma fotografia como sendo analógica, portanto, é retroceder ao pensamento“analógico: semelhança” positivista disseminado no século XIX que considerava a fotografia como “cópia exata, reprodução fiel da realidade”. Ou seja, quem diz “fotografia analógica” está dizendo de maneira implícita que a fotografia é algo meramente científico, jamais sendo fruto de criação e/ou interpretação por parte do agente por trás da câmera.

Dessa forma, dizer “fotografia analógica” é o mesmo que chamar o fotógrafo de macaco, ou seja, de mero apertador de botões. Não que estes não existam, mas na parte que me toca, acredito (ou prefiro acreditar) que faço bastante proveito dos 3% de carga genética que me diferenciam de um chimpanzé. Portanto, se você diz “fotografia analógica” saiba que o macaco, na verdade, é você.

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Uma série fotográfica abusada?

Publicado em 18 de julho de 2009 por Olegario Schmitt

E-book grátis

Publicado em 29 de junho de 2009 por Olegario Schmitt

Tudo o que você queria saber sobre Panoramas mas não tinha para quem perguntar é um e-book que discorre sobre panoramas, como capturar as imagens para criar um panorama, softwares utilizados, dificuldades, limitações técnicas, etc.. Tudo explicado passo-a-passo e de maneira bem didática.

Clique aqui para baixar o e-book (PDF, 725Kb, rev. 2).

Clique aqui para ver algumas fotos panorâmicas

Entenda quando os marginais se tornam Senhores

Publicado em 11 de junho de 2009 por Olegario Schmitt

“Qual a sua opinião sobre pichações?” foi a única pergunta feita a trabalhadores, comerciantes, moradores e transeuntes de uma determinada rua de São Paulo.

Algumas de suas respostas estão nesse vídeo.

Chapas de vidro e claras de ovo

Publicado em 14 de março de 2009 por Olegario Schmitt

Edward Curtis - Chefe Joseph (1908)

Exposição: Edward Curtis
Curadoria: Christopher Cardozo/João Kulcsár
Data: 14/03/2009
Local: Caixa Cultural São Paulo (Sé)


Não poderia perder jamais a exposição do “cara” que fotografou o Chefe Joseph, uma vez que toda vez que penso em índio americano, logo me vem à mente essa foto de Curtis.

Trabalho emocionante: Curtis captou de tal maneira cada cena, cada cenário, cada luz, cada expressão, que foi uma grande aula de fotografia e de humanidade.

Destaque a parte também para a imensa variedade de técnicas utilizadas pelo fotógrafo. Posso citar, entre outras, viragem em platina, cianótipos, e uma tal de “viragem em ouro”, técnica desenvolvida por ele mesmo, que deixa a foto com fundo dourado.

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