Semana Farroupilha VII

Considerações finais

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Semana Farroupilha VII

Considerações finais

Publicado em 14 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

Autorretrato

Neste Dia do Gaúcho, após uma semana de artigos diários sobre a Semana Farroupilha e a cultura gaúcha, encerro a série com a intenção de dizer que não somos feitos só de chimarrão, revolução e churrasco.

Somos feitos, sobretudo, do orgulho de, primeiro, sermos gaúchos, para depois, e apenas depois, sermos brasileiros. Por mais revolta, ou inveja, ou despeito, ou seja lá que tipo de emoções isso possa despertar — e desperta — nos brasileiros de outros estados, assim é que o sentimento do gauchismo se manifesta.

Mais do que de pretensão, o gaúcho é feito dessa cultura típica extremamente forte, tão peculiar e enraizada nos valores sociais que deve mesmo causar inveja a muitos outros brasileiros, mais preocupados com o je/me/moi do dia a dia do que com o coletivo ou com a sua própria cultura.

Em vez de sentar com as pernas arregaçadas acolhendo livremente tudo o que vem de fora, o gaúcho, por ter esse orgulho extremado, essa vaidade de sua cultura, esse jeito prepotente e arrogante de quem se basta consigo mesmo, acolhe e preza antes por aquilo que vem de dentro, de si e de seus semelhantes.

Esse estado de ser gaúcho manifesta-se, não apenas na linguagem, na forma de vestir, na música, nos hábitos: manifesta-se também na política através de leis específicas que regulamentam o tradicionalismo e através dos CTGs (Centros de Tradição Gaúcha) que, além de manter viva a chama do tradicionalismo, ajudam a nortear o comportamento social do gaúcho, enquanto comunidade fechada em si, com seus próprios conceitos e regras.

Dois padres durante Missa Crioula

Tal forma de ser manifesta-se também na sua religiosidade e na sua maneira única de relacionar-se com ela.

Na Missa Crioula, por exemplo, os padres chegam a cavalo, usam pilcha e rezam um Padre Nosso adaptado, onde a Virgem Maria é chamada de “Primeira Prenda do Céu” e São Pedro de “Capataz da Estância Gaúcha”, dentre outras expressões sulistas como “Patrão Nosso” e “potrilho chucro”.

Tudo dentro do maior respeito e com a bênção do Arcebispo, é claro.

Outro detalhe interessante é que todo gaúcho tem certo ímpeto separatista, impulso cultural primário, enraizado no inconsciente coletivo. A prova disso é a existência do MSP (Movimento o Sul é o Meu País), do GESUL (Grupo de Estudos Sul Livre) e do PRF (Partido da República Farroupilha). Isso é o que eu chamo de levar ao extremo um sentimento ilógico, mas ainda assim profundamente cultural.

Enfim, gaúcho é um estado de ser, uma postura única em relação ao culto e à preservação de seus próprios costumes, manifestada no orgulho desmedido de pertencer a essa pátria brasileira chamada Rio Grande do Sul.

Padre Nosso Gaúcho

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, com licença, Patrão Celestial.

Vou chegando, enquanto cevo o amargo das minhas confidências, porque, ao romper da madrugada e a descambar do sol, preciso campear por outras invernadas e repontar do Céu a força e a coragem para o entrevero do dia que passa.

Eu bem sei que qualquer guasca, bem pilchado, de faca e rebenque e esporas, não se afirma nos arreios da vida, se não se estriba na proteção do céu.

Ouve, Patrão Celeste, a oração que Te faço, ao romper da madrugada e ao descambar do sol.

Tomara que todo mundo seja como irmão!

Ajude-me a perdoar as afrontas e a não fazer aos outros o que não quero para mim.

Perdoa-me, Senhor, porque rengueando pelas canhadas da fraqueza humana, de quando em vez, quase sem querer, eu me solto porteira-a-fora… Êta, potrilho chucro, renegado e caborteiro…

Mas, eu Te garanto, meu Senhor, quero sem bom e direito.

Ajude-me, Virgem Maria, Primeira Prenda do Céu.

Socorre-me, São Pedro, Capataz da Estância Gaúcha.

Prá fim de conversa, vou Te dizer, meu Deus, mas somente prá Ti:

Que Tua vontade leve a minha de cabresto prá todo o sempre e até a Querência do Céu.

AMÉM.

Comentários

  1. Patrícia Gon&
    28 de setembro de 2009

    Gostaria de sabe o e-mail do Padre Gerson Schimidt.

    Obrigada!

  2. Jose Henrique Muller
    29 de julho de 2010

    Necessito de imagens das cedulas da epoca da revolucao farroupilha..

  3. sandra souza
    5 de agosto de 2010

    Gostaria do email do padre Gerson Schmidt, estou precisando do folheto da missa crioula. sem mais obrigada

  4. lucia
    5 de setembro de 2010

    gostaria do email do padre gerson schmidt, preciso folheto da missa crioula. obrigado

  5. Olegario Schmitt
    6 de setembro de 2010

    Àqueles interessados em fazer contato com o Pe. Gerson Schmidt, saibam que não tenho qualquer tipo de contato ou relação com ele, apenasmente reproduzi aqui a sua versão do Pai Nosso.

    Se querem o e-mail dele, assim como quaisquer outras informações a seu respeito, procurem no Google: http://www.google.com.br/#q=padre+gerson+schmidt

    Esse blog não se presta a passar informações sobre Pe. Gerson nem sobre qualquer outra pessoa. Dessa forma, comentários posteriores pedindo seu e-mail ou folhetos da Missa Crioula serão excluídos.

  6. Dileta Rech
    17 de abril de 2017

    Preciso de informação: Como posso adquirir o CD com as músicas da Missa Crioula do Pe. Gerson Scmidt?

  7. Olegario Schmitt
    14 de julho de 2017

    não faço a mínima ideia, Dileta! procura no Google

    incroyable ¯\_(ツ)_/¯

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