Semana Far­rou­pi­lha V

As dan­ças do fandango

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Semana Far­rou­pi­lha V

As dan­ças do fandango

Publicado em 16 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

Festa Gaú­cha — Dela­fu­ente (Gabriel Usinger)

No Rio Grande do Sul, dá-se o nome de fan­dango ao con­junto de dan­ças rea­li­za­das em um baile gaúcho.

Os rit­mos exe­cu­ta­dos no baile devem ser ori­gi­nais, que pre­ser­vem a auten­ti­ci­dade do fol­clore gaú­cho de forte influên­cia his­tó­rica euro­péia e latino-americana. Quanto ao fan­dango antigo no Rio Grande do Sul, as dan­ças mais popu­la­res são o anu, o balaio, a que­ro­mana, o tatu e a tirana. No fan­dango atual são exe­cu­ta­dos pre­fe­ren­ci­al­mente os rit­mos do fol­clore vigente, como mar­chas, vane­ras, vane­rões, xotes, milon­gas, ran­chei­ras, pol­cas, val­sas, cha­ma­més e bugios.

Os rit­mos de fan­dango são musi­cal­mente ricos e vari­a­dos per­mi­tindo evo­lu­ções belas e har­mo­ni­o­sas na dança, cada ritmo dança-se de um jeito e cada ritmo tem a sua carac­te­rís­tica pró­pria de ser dan­çado. Sendo assim recomenda-se que o con­junto musi­cal de fan­dango exe­cute todos dos rit­mos de forma vari­ada e cri­te­ri­osa sem dis­tor­cer um deter­mi­nado ritmo acelerando-o para um efeito mais ágil e nem repe­tindo exces­si­va­mente o mesmo ritmo musi­cal caindo na mes­mice ou ainda descaracterizando-o quanto a sua forma original.

Esses rit­mos apre­sen­tam as seguin­tes carac­te­rís­ti­cas históricas:

Mar­cha Polonaise

A Polo­nesa ou Polo­ne­sie é dança ori­gi­ná­ria da Polô­nia que foi men­ci­o­nada após o ano de 1675. Essa dança de con­junto teria se ori­gi­nado de uma mar­cha triun­fal de anti­gos guer­rei­ros polo­ne­ses. Nas áreas de colo­ni­za­ção ita­li­ana e alemã, no Rio Grande do Sul, a Polo­ne­sie con­ti­nua sendo a dança solene de aber­tura de bai­les ou ponto cul­mi­nante de fes­ti­vi­da­des como: Festa do Rei do Tiro e Kerbs.

Mar­cha

No Bra­sil, teve ori­gem nos blo­cos car­na­va­les­cos de rua, pois além de peça musi­cal e core­o­grá­fica rela­ci­o­nada com o car­na­val, o nome indica um dos pas­sos do antigo ‘Qui­cum­bis’ (Dança de Igreja).

Valsa

Sua ori­gem mais pró­xima vem das dan­ças rús­ti­cas alpi­nas da Áus­tria, destacando-se o Lãn­dler. Do campo, a Valsa foi para as cida­des, notabilizando-se, ini­ci­al­mente, em Viena. Expandiu-se por toda a Europa porém, na França, assu­miu fei­ções pró­prias (lenta, lân­guida, sen­ti­men­tal). No Bra­sil a Valsa foi bas­tante cul­ti­vada no século XIX, desde o nível popu­lar até o erudito.

Ran­cheira

É uma ver­são naci­o­na­li­zada da Mazurca (Dança de ori­gem polo­nesa) na Argen­tina, Bra­sil e Uruguai.

No estilo da fron­teira dança-se a Ran­cheira bem mar­cada com batida de todo o pé no chão, assemelhando-se assim os movi­men­tos dos pares a um val­se­ado. O gai­teiro quando toca segura mais a nota musi­cal, dando mais exten­são à nota. (Legatto = ritmo constante).

Na serra difere do estilo fron­tei­riço ape­nas na forma de exe­cu­tar, pois dança-se bem rápido e pula­di­nho com acen­tu­ada mar­ca­ção de todo o pé no tempo forte da música (1º tempo). O gai­teiro ser­rano faz uma sequên­cia com inter­rup­ção da nota musi­cal. (Sta­catto = ritmo alternado).

Vanera

A Vanera, Vaneira ou ainda Hava­neira tem ori­gem na Haba­nera, ritmo cubano com o nome em refe­rên­cia a capi­tal Havana (La Habana). É uma acul­tu­ra­ção dos rit­mos afros pelos cuba­nos, entre­tanto expor­ta­das aos salões euro­peus espe­ci­al­mente os de Paris e Madri, foi dança de sucesso muito apre­ci­ada, difun­dida e pre­fe­rida por com­po­si­to­res fran­ce­ses e espa­nhóis. A Vaneira che­gou no Bra­sil por volta de 1866 influ­en­ci­ando rit­mos como o samba-canção bra­si­leiro e outros do fan­dango gaú­cho como o vane­rão, o limpa-banco e o bugio.

No Rio Grande do Sul a Vanera é um ritmo musi­cal de anda­mento mode­rado, a core­o­gra­fia é de dois pas­sos para um lado (pé esquerdo) e um passo para o outro lado (pé direito), observando-se dois tem­pos musi­cais para ambos os lados.

A Vanera con­quis­tou um espaço pri­vi­le­gi­ado entre os con­jun­tos musi­cais de fan­dango, sendo hoje, pre­sença mar­cante e obri­ga­tó­ria em qual­quer baile tra­di­ci­o­nal, pra­ti­ca­mente sendo o ritmo básico do baile ou o mais exe­cu­tado no evento.

Vane­rão

É uma música de anda­mento rápido, mas com acom­pa­nha­mento e carac­te­rís­ti­cas típi­cas da Habanera.

Bugio

O nome desse ritmo e os movi­men­tos exce­cu­ta­dos na dança são ins­pi­ra­dos no tipo de macaco muito astuto e popu­lar que habita as regiões de matas no sul do país, o bugio.

É autên­tico ritmo gaú­cho, cri­ado e desen­vol­vido no Rio Grande do Sul, dife­rente dos demais que mesmo com suas adap­ta­ções são das mais diver­sas ori­gens (geral­mente euro­péias). Não sabe-se ao certo mas, alguns dis­sem que o bugio sur­giu de um erro do gai­teiro, outros dis­sem que foi da ten­ta­tiva de imi­tar o ronco do bugio usando o jogo de fole da gaita.

Era dança da ralé, comum nos bai­les “Bra­ga­dos” da região rural mis­si­o­neira e nos mere­trí­cios, mas tornou-se bas­tante popu­lar pas­sando a ser aceita até mesmo nas fes­tas da alta soci­e­dade. Atu­al­mente o Bugio tem grande acei­ta­ção no meio tra­di­ci­o­na­lista e na mai­o­ria das fes­tas popu­la­res do Rio Grande do Sul, espe­ci­al­mente nas regiões das mis­sões, no pla­nalto médio e nos cam­pos de cima da serra, mas parece per­der espaço entre gru­pos musi­cais, mesmo sendo a dança de salão mais autên­tica e gaú­cha entre todas as core­o­gra­fias e rit­mos exe­cu­ta­dos no baile tradicional.

A core­o­gra­fia lem­bra os movi­men­tos do macaco, dois pas­sos para cada lado, cada com­passo é biná­rio e equi­vale a dois movi­men­tos para cada lado, sendo que na pas­sa­gem do segundo para o ter­ceiro movi­mento, no momento em que é dado o jogo de foles da gaita, os pares dão um puli­nho lateral.

Xote

Segundo Bap­tista Siqueira, a Schot­tisch entrou no Bra­sil no iní­cio da década de 1850, difundindo-se pelo país. O nome da dança, pala­vra alemã que sig­ni­fica esco­cesa, é enga­noso pois, con­forme o Grove´s Dic­ti­o­nary of Music and Musi­ci­ans (5ª ed. 1955), do ponto de vista moderno é que essa dança nada tem a ver com a Escó­cia. É uma dança de pro­ce­dên­cia fran­cesa com nome esco­cês. O com­passo do Schot­tisch é biná­rio ou quar­te­ná­rio e o anda­mento é rápido.

Milonga

Dança urbana de Bue­nos Aires, da mesma gera­ção do Tango, mas com melo­dia e ritmo bre­jeiro. O sen­tido do termo pro­vém da lín­gua Bunda da Repú­blica dos Cama­rões: Melunga = pala­vra. O plu­ral é Milonga.

Cha­mamé

Para o fol­clo­rista argen­tino Joa­quim Lopez Flo­res, essa dança cor­ren­tina (da Pro­vín­cia de Cor­ri­en­tes) teria nas­cido jus­ta­mente da velha “Chi­mar­rita” do Rio Grande do Sul (intro­du­zida pelos açorianos).

Che­gou no Bra­sil pelo Rio Uru­guai e foi difun­dida pelas rádios argen­ti­nas no inte­rior do Rio Grande do Sul. Na rea­li­dade, “el cha­mamé” foi um feliz “con­tra­bando”. A inter­pre­ta­ção do cha­mamé pode ser a solo ou em duo, sendo essa moda­li­dade vocal mais apre­ci­ada. Podendo ser dan­çado aos pares ou sapa­te­ado em sua ori­gem, o cha­mamé no Rio Grande do Sul se dife­ren­ciou na maneira que os bai­la­do­res daqui deram a este ritmo. Impor­tante res­sal­tar é a ver­sa­ti­li­dade deste gênero, que vai desde um calmo chamamé-canção, a um cha­mamé bem bagual em anda­mento bas­tante rápido, quase uma polca.

Polca

Dança de com­passo biná­rio em anda­mento vivo, originou-se no iní­cio do século pas­sado, na Boê­mia, fez sucesso na França e difundiu-se daí para outros paí­ses, inclu­sive o Bra­sil. Há vários tipos de modas core­o­grá­fi­cas que deram a deno­mi­na­ção à Polca: One Step, Pol­qui­nha, Limpa-banco, Arrasta-pé, Gasta-sola, Ser­rote, Polca das Damas (a moça tira o rapaz para dan­çar), Polca de Rela­ção ou Meia Canha (os pares dizem ver­sos um para o outro).

Curi­o­si­dade

Sapu­cay - grito dado espon­ta­ne­a­mente pelos músi­cos no momento em que lhes dá gana ou no final de cada tema. Sua ori­gem remonta aos tem­pos anti­gos quando, a exem­plo do que acon­tece hoje, havia o famoso con­tra­bando, eis que a “melhor” rota para con­tra­ban­dear, era sem dúvida o Rio Uru­guai. Naquela época, os con­tra­ban­dis­tas que leva­vam as mer­ca­do­rias, faziam isso de balsa e nas noi­tes escu­ras as mar­gens do rio, a única forma de serem loca­li­za­dos era dando os famo­sos gri­tos. Sapu­cay, em gua­rani, sig­ni­fica grito. A pro­nú­nia cor­reta é sapu­caí, embora no Rio Grande do Sul pronuncie-se sapucái.

Abaixo, alguns exem­plos do sapucay:

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Bibli­o­gra­fia:
Web­site Guapos.com.br

Comentários

  1. gabri­ely
    14 de setembro de 2009

    vcs são uns idiotas!!!

  2. Jer­maine Sitzman
    24 de março de 2010

    I have been exa­mi­ning your blog­posts lately, just would like to say thank you for all edu­ca­ti­o­nal stuff i have found here, hel­ped me learn alot lately. 1 idea I like to review is I’m not fond in the man­ner you push your­self too much into the post itself.

  3. Ole­ga­rio Schmitt
    24 de março de 2010

    What you’ve said makes no sense.

    Anyhow, I can push myself into anything I want to. It’s not of your business.

  4. orlando lei­tão
    11 de abril de 2011

    gos­ta­ria se pos­si­vél que vocês
    publi­casse ou man­dasse por e mail.um comen­ta­rio mais pro­fundo sobre (querumana)

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