Pingüins no Pólo Norte

Vendo os símbolos natalinos, o autor percebe que há alguma coisa muito errada…

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Pingüins no Pólo Norte

Vendo os símbolos natalinos, o autor percebe que há alguma coisa muito errada…

Publicado em 05 de dezembro de 2006 por Olegario Schmitt

Foi andando há alguns dias atrás pela Av. Paulista, em frente a um famoso banco que todo ano faz decoração natalina estonteante, que percebi que algo está muito errado.

Para começar, vivemos num país tropical onde as roupas quentes do Papai Noel são tão inadequadas quanto sua lenda nórdica, que nada tem a ver com boitatá.

Mas desde que o Santa foi tornado “Papai Noel: tornado mundialmente famoso através de comercial da Coca-Cola nos anos 30”mundialmente famoso através de campanha comercial na década de 1930, já nos acostumamos com isso e agora a gente nem dá mais bola, desde que a ceia tenha Coca-Cola.

Forçando um pouco a mente, a gente até consegue perdoar — ou ao menos tentar — aquele Frosty feito de neve falsa e nariz de cenoura, assim como todas as outras referências ao frio nesses 35ºC da nossa época natalina.

Sim, a gente até aceita tudo isso, porque os anos vão passando e aquilo que não é mais novidade também deixa de chocar…

Mas foi, até então resignado, que eu vi o inimaginável! Em meio a todos esses símbolos nórdicos “os pingüins vivem apenas no Pólo Sul”havia nada mais nada menos do que uns 10 pingüins!!!! Sim, um bando de pingüins em pleno Pólo Norte, com cara de loucos sádicos. E todos de olhos azuis, resquícios nazi-fascistas! Hellooooowww?! Onde já se viu uma coisa dessas??

Chocado com a imbecilidade generalizada da decoração — e, diga-se de passagem, assim o seria mesmo sem os deslocados pingüins nazistas —, como eu estava dizendo, foi então que percebi que algo está muito errado.

Nosso Natal acabou finalmente por ser reduzido unicamente a símbolos não pertencentes à nossa cultura e a luzinhas piscantes, nas mais diversas cores, tamanhos e fluorescências, capazes de deixar Thomas Edson estupefato, quiçá arrependido por ter criado essa coisa demoníaca que é a lâmpada.

Na época em que se celebra o Seu nascimento, me parece que Jesus está morto. E sua morte é, ano a ano, lenta“Jesus está morto” e coletivamente decretada, de maneira silenciosa e dissimulada. Se você prestar atenção no Natal, verá muitas coníferas com luzes piscantes por todo lado, tudo muito lindo, mas nada de Jesus em lugar nenhum. Nenhuma referenciazinha, nem um Jesuscristinho escondidinho num canto que fosse. NA-DA!

Eu já havia notado que nessa entrada do novo milênio Jesus está cada vez mais raro no coração das pessoas — e, conseqüentemente, nas suas vidas exteriores —, estando resumido — for God’s sake! — quase que unicamente à mente doentia das Testemunhas de Jeová. Essas sim, vociferam Seu Santo Nome a todo instante, geralmente como argumento, pretexto e justificativa para o seu próprio desvario e preconceitos. Lamentavelmente, parece ser somente na boca desses infelizes que Jesus aparece a toda hora…

Portanto, diante dessas evidências, só nos resta sermos realistas e percebermos que quando as pessoas que hoje procuram seguir os princípios crísticos morrerem, não restará praticamente Jesus nenhum. Numa estimativa pra lá de otimista, isso não levará mais de 50 anos, uma vez que as crianças e adolescentes contemporâneos já não querem saber de mais nada disso.

Exemplo que ilustra perfeitamente o que estou falando foi uma discussão que travei com um menino de 5 anos no Natal do ano passado, quando eu tentava explicar o verdadeiro motivo dessa celebração. Afinal aquela criança, tão “pura”, parecia não “a ‘pureza’ da resposta das crianças”saber de nada. Mas nesse momento ele irrompeu com exasperação um tanto desproporcional à situação, dizendo que “Jesus nunca existiu coisa nenhuma! Onde está Jesus que eu nunca nem vi?” Quando tentei contra-argumentar, citando evidências bíblicas, sentimentos crísticos, etc., recebi de volta um inflamado “mas eu tenho o direito de acreditar naquilo que eu quiser!”

Concordo que todos têm direito de acreditar no que quiserem, mas é lamentável que a liberdade — conceito tão bonito — possa ser também algo tão triste: como é que se discute com uma criança capaz de possuir e manifestar de maneira tão convicta essa mentalidade preocupante, apesar de ainda não saber pronunciar todas as sílabas adequadamente?

Quanto tempo levará para que essa criança e outras “Natal pas­sou a sig­ni­fi­car cla­ra­mente ape­nas Papai Noel e presentes”como ela, tão comuns hoje em dia, se tornem adultas e procriem, repassando à sua prole essa completa falta de valores?

Quanto tempo levará até que Jesus esteja definitivamente morto na memória e no coração das pessoas, agora que o Natal passou a significar claramente apenas Papai Noel e presentes?

Dessa forma, nesse ano na minha casa não haverá árvore de Natal. Recuso-me terminantemente a compactuar com esse símbolo que, para mim, já perdeu todo o sentido. Também não gostaria de receber nenhum presente, pois eles me lembrarão imediatamente do significado contemporâneo dessa data.

Como o passar dos anos progressivamente tornará toda manifestação de amor e afeto entre as pessoas“o presente ideal” cada vez mais improvável, prefiro ganhar unicamente um abraço, enquanto isso ainda for possível. Além do mais, perfumes acabam, roupas se rasgam… Um abraço, pelo contrário, será algo que poderei levar comigo a vida inteira, dentro de mim.

No futuro, eu gostaria de ter comigo essa lembrança, pois antevejo que quando ele, sombrio, chegar, a memória de Jesus e de tudo o que Ele ensinou estará presente apenas no coração daqueles que, velhos como eu, sequer serão levados a sério.

É… depois de ter visto pingüins sádicos no Pólo Norte, eu só espero pelo pior.

Comentários

  1. Adelaide Budel
    13 de agosto de 2008

    Olá… Havia um tempinho q não lia na internet um texto tão interessante, um ponto de vista tão óbvio e que nem eu havia parado pra pensar… Trabalho com decoração… e confesso que vou mudar meu método de criação…
    Ahhh adorei os pinguins sádicos do Polo Norte…. e confesso que nunca pensei em usá-los.
    Meus parabéns,
    Grande abraço e um feliz natal 2008

  2. Olegario Schmitt
    14 de agosto de 2008

    Que maravilha receber um comentário destes. Obrigado. Coisas assim dão a sensação de que tudo vale a pena. Um Feliz Natal pra você também!

  3. Guilherme Gracis
    18 de março de 2010

    Olha, já vi uma cen aparecida com a sua no ultimo natal em Poços de caldas. Renas, treinò, e dezenas de pinguis.

    Esse dias contando isso para algum amigos, todos eles teimaram que há sim pingins no Polo norte. Apostamos e guanhei um celular novo.

    A única coisa que não gostei em seu post foi em relação as testemunhas de Jeová. Embora não seja e nem conheça ninguém que frequente essa igreja, vc é muito preconceituoso ao chama-las preconceituosas, preconceito é chama-las assim, e também falar que ela tem mente doentia. Mente doentia tem uma pessoa que acredita nas mentiras da igreja católica isso sim. Já fui coroinha e já passei poucas e boas nas tentativas de demonios pedofilos dessa igreja. Despois que comecei a estudar história que percebi as tamanha mentiras que eles contaram. Eles mataram inocentes, atrasaram a ciência em mais de um milênio, entre outras coisas. Hoje tenho pena de quem acredita neles. Não possuo nenhum religião, apenas creio em Deus, o nosso grande arquiteto do Universo.

    Muito obrigado.

    Guilherme de Gracis – 16 anos Poços de Caldas

  4. Olegario Schmitt
    19 de março de 2010

    Caro Guilherme,

    parabéns (de verdade) pelo seu celular e muito obrigado por seu comentário.

    Compartilho da mesma crença que você e também não tenho religião.

    Você tem completa razão quanto ao catolicismo.

    Retifique, no entanto, sua opinião quanto às testemunhas de Jeová.

    Peço que você use esse mesmo bom-senso que mostra ter em relação ao catolicismo ao analisá-los, assim como aos evangélicos em geral (em geral, mas não todos).

    Abraço

  5. graziela
    22 de novembro de 2015

    olá, amei o seu texto, muito interessante mesmo. E tudo isso é verdade cada ano as pessoas tão se esquecendo de Deus e isso é muito serio, fico horrorizada com isso tudo. Sou educadora infantil, meu aluno de 5 anos essa semana me falou que Jesus está morto, tentei explicar de todas as formas para ele que Jesus morreu e ressuscitou e está vivo, mas foi em vão ele afirmou para mim que a mãe dele disse que Jesus está morto, eu acabei ficando triste com a situação.

  6. Olegario Schmitt
    14 de julho de 2017

    Jesus está mesmo morto, já o mataram uma vez e continuam a matá-lo todo dia.

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