Mafalda

“Se você tivesse fígado… que hepatite, hein?”

Especiais

Mafalda

“Se você tivesse fígado… que hepatite, hein?”

Publicado em 01 de outubro de 2004 por Olegario Schmitt

Ela é uma menininha, mas já tem 40 anos (completados no último 29/09).

Criação de Joaquín Lavado, o Quino, é desprezada por seu próprio “pai” desde a mais tenra infância, sendo por ele relegada a segundo plano e considerada “morta” em 1973. Quino ainda não consegue entender o seu sucesso. Em entrevista ao jornal Clarín, declarou: “Se ela ainda é lida como antes, para que continuar desenhando-a? Uma vez me perguntaram se eu não gostaria de ressuscitá-la. Ressuscitar significa que algo está morto”.

Apesar do desprezo de seu criador, a menininha continua tão viva quanto sempre na admiração de seus fãs: como não apaixonar-se por essa baixinha de cabeça redonda, revolucionária contestadora que odeia sopa e ao mesmo tempo é profunda questionadora do mundo, seus contrastes e injustiças?

Acompanhada de seus inseparáveis amigos — cada um com características mui peculiares representando, de certa forma, alguns tipos que formam nossa sociedade — Mafalda passeia por temas nada infantis como filosofia e política.

Manolo, menino de baixo nível sócio-cultural e de burrice folclórica, trabalha desde a tenra infância no armazém de seu pai. Dotado de um faro comercial “apurado” aliado a um capitalismo ferrenho — seu sonho é montar sua própria rede de armazéns, a Manolo’s — é uma “sutil” crítica aos workaholics capitalistas, mais interessados em ganhar dinheiro do que adquirir alguma cultura e apreciar as belezas da vida.

Já Suzanita, de classe social mais elevada, é extremamente fofoqueira, egoísta e maldosa, sem papas na língua no que se refere a magoar seus amigos e pisotear os menos afortunados. Seu projeto de vida consiste em casar na igreja, com véu e grinalda, ter muitos filhos e ser dona-de-casa. Quem nunca conheceu alguém assim?

Por outro lado, temos o Miguelito, de pureza, doçura e ingenuidade únicas. De auto-estima extremada e dado a associações e conclusões nada convencionais sobre as coisas, esse gorduchinho de cabelos de alface é um encanto!

Amiga mais recente, Liberdade é uma criança diminuta, filha de pais recém-formados que lutam arduamente para sobreviver e pagar as prestações do apartamento: sua mãe é tradutora de francês e não se sabe ao certo em que seu pai trabalha. Segundo ela, ele sempre diz “não sei o que estou fazendo lá, naquele empreguinho de coisa nenhuma”. Filha clássica de estudantes político-revolucionários, ela gosta de gente simples, indo ao extremo no que se refere a isso. Nos diálogos entre Liberdade e Suzanita percebe-se, de maneira mais ou menos sutil, o conflito entre a classe desfavorecida, que luta para sobreviver, e a classe mais rica.

Filipe é o mais problemático de todos. Extremamente neurótico, vive em conflitos entre o dever e o querer. Sua vida é um dilema constante e seu maior drama, além de ser apaixonado por uma menina mais velha para quem não tem coragem para se declarar, é conseguir decidir o que será quando crescer.

Por último, Guile, o irmãozinho mais novo de Mafalda apaixonado por Brigitte Bardot, é uma figura. Seguindo de perto os passos revolucionários da irmã, já formula suas próprias dúvidas filosóficas, à sua maneira.

Quino foi bastante feliz na criação desses personagens, assim como na escolha das suas características psicológicas e sociais. Rir de uma tirinha da Mafalda é como rir de nós mesmos e as críticas que essa menina fazia nas décadas de 60 e 70 ainda são extremamente atuais.

Comentários

  1. Paulo Athayde
    5 de março de 2009

    Olá!

    Encontrei o seu blogue por acaso em uma pesquisa na rede. Também gosto muito da Mafalda é já li “quase tudo” em revistas. Tenho alguns blogues, e em todos eles eu coloquei link para o Clube da Mafalda, para ajudar a divulgar.

    Se quiser conferir, a partir do endereço desse: Coluna do Leitor, você pode acessar os outros.

  2. NAO INTERESSA
    7 de abril de 2009

    peeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeessim00

  3. Olegario Schmitt
    7 de abril de 2009

    Pois como são as coisas: já eu eu acho péssimo é você ter nascido. peeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeessim00

  4. matheus miranda
    24 de setembro de 2009

    muito bacana e construtivo…nao tinha o habito de ler mafalda, mas agora, com certeza, terei! parabens…

  5. Olegario Schmitt
    25 de setembro de 2009

    Fico muito feliz por você ter se convencido, Matheus.

    Certamente você não irá se arrepener. Ela é mesmo uma delícia!

    Abraço.

  6. Emely
    7 de abril de 2010

    D+++

    Vou tirar 10 no Trabalho,mas acho q devia falar sobre as

    características de Mafalda!

    :*.

  7. ñ entereça
    19 de maio de 2012

    achei d+ os quadrinhos e nunca tinha lido Mafalda

Contribua com sua opinião

Designed by