
Monumento ao Ipiranga
Hoje é 7 de setembro, data em que comemoramos nossa independência, ou melhor, data em que comemoramos o feriado e lembramos (?) a independência em relação à corte portuguesa, em 1822.
Nos maiores jornais e portais de Internet do país, eram estas as reportagens de capa:
“Quer namorar no FERIADO?” (Terra)
“Eleições nos EUA / Financial Times” (UOL)
“Lula usa o crescimento para incitar o patriotismo” (Folha de São Paulo)
“Enfim noivos (foto de capa: Ronaldo e Cicarelli) / Produção de carros bate recordes e cria 6.800 empregos” (Diário de São Paulo)
“Corte de candidatos com ficha criminal divide ministros do TSE” (O Globo)
“7 de setembro tórrido” (Zero Hora)
“Produtividade da indústria cresce 7,2% no 1º semestre” (O Estado de S. Paulo)
Pouca ou nenhuma alusão a essa data tão especial pelos meios de comunicação em massa faz-nos perceber que talvez não haja motivos para comemorar: atualmente a Independência do Brasil não passa de um monumento cheio de cocôs de pombos, e nenhuma imagem poderia ser mais exata para representar a realidade da nossa dependência dos EUA e do FMI.

Às margens do Ipiranga: esgoto a céu aberto
“Independência ou morte”, em épocas de globalização, passou a significar “independência é morte”.
Que o diga Cuba.
Há mais de século nossos Dom Pedros extintos, “às margens do Ipiranga” adquiriu um tom mais sinistro, significando, literalmente, “às margens do esgoto correndo a céu aberto” e parece que do refrão do nosso Hino à Independência, ficou apenas o “Brasil servil”.

Monumento ao Ipiranga: grifos e leões
Já os grifos e leões “guarnecendo” nosso monumento comemorativo à independência, em detrimento a boitatás com olhos de fogo ou curupiras montados em porcos-do-mato, dão-nos idéia bastante realística do que nossa independência significa: nada mais do que ilusão.
Sem dar-se conta, o artista/arquiteto de tal monumento, ao utilizar tais figuras, refletiu ali, além do seu próprio, o inconsciente de toda uma nação, expondo a todos nossa dependência internacional até mesmo no que tange às figuras mitológicas.
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