Inde­pen­dên­cia é Morte!

A “come­mo­ra­ção” da inde­pen­dên­cia expõe nos­sas carac­te­rís­ti­cas intrínsecas.

Celebrações

Inde­pen­dên­cia é Morte!

A “come­mo­ra­ção” da inde­pen­dên­cia expõe nos­sas carac­te­rís­ti­cas intrínsecas.

Publicado em 07 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

Monu­mento ao Ipiranga

Hoje é 7 de setem­bro, data em que come­mo­ra­mos nossa inde­pen­dên­cia, ou melhor, data em que come­mo­ra­mos o feri­ado e lem­bra­mos (?) a inde­pen­dên­cia em rela­ção à corte por­tu­guesa, em 1822.

Nos mai­o­res jor­nais e por­tais de Inter­net do país, eram estas as repor­ta­gens de capa:

Quer namo­rar no FERI­ADO?” (Terra)

Elei­ções nos EUA / Finan­cial Times” (UOL)

Lula usa o cres­ci­mento para inci­tar o patri­o­tismo” (Folha de São Paulo)

Enfim noi­vos (foto de capa: Ronaldo e Cica­relli) / Pro­du­ção de car­ros bate recor­des e cria 6.800 empre­gos” (Diá­rio de São Paulo)

Corte de can­di­da­tos com ficha cri­mi­nal divide minis­tros do TSE” (O Globo)

7 de setem­bro tór­rido” (Zero Hora)

Pro­du­ti­vi­dade da indús­tria cresce 7,2% no 1º semes­tre” (O Estado de S. Paulo)

Pouca ou nenhuma alu­são a essa data tão espe­cial pelos meios de comu­ni­ca­ção em massa faz-nos per­ce­ber que tal­vez não haja moti­vos para come­mo­rar: atu­al­mente a Inde­pen­dên­cia do Bra­sil não passa de um monu­mento cheio de cocôs de pom­bos, e nenhuma ima­gem pode­ria ser mais exata para repre­sen­tar a rea­li­dade da nossa depen­dên­cia dos EUA e do FMI.

Às mar­gens do Ipi­ranga: esgoto a céu aberto

Inde­pen­dên­cia ou morte”, em épo­cas de glo­ba­li­za­ção, pas­sou a sig­ni­fi­car “inde­pen­dên­cia é morte”.

Que o diga Cuba.

Há mais de século nos­sos Dom Pedros extin­tos, “às mar­gens do Ipi­ranga” adqui­riu um tom mais sinis­tro, sig­ni­fi­cando, lite­ral­mente, “às mar­gens do esgoto cor­rendo a céu aberto” e parece que do refrão do nosso Hino à Inde­pen­dên­cia, ficou ape­nas o “Bra­sil servil”.

Monu­mento ao Ipi­ranga: gri­fos e leões

Já os gri­fos e leões “guar­ne­cendo” nosso monu­mento come­mo­ra­tivo à inde­pen­dên­cia, em detri­mento a boi­ta­tás com olhos de fogo ou curu­pi­ras mon­ta­dos em porcos-do-mato, dão-nos idéia bas­tante rea­lís­tica do que nossa inde­pen­dên­cia sig­ni­fica: nada mais do que ilusão.

Sem dar-se conta, o artista/arquiteto de tal monu­mento, ao uti­li­zar tais figu­ras, refle­tiu ali, além do seu pró­prio, o incons­ci­ente de toda uma nação, expondo a todos nossa depen­dên­cia inter­na­ci­o­nal até mesmo no que tange às figu­ras mitológicas.

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