Cas­tro Alves

Poeta maior brasileiro

Celebrações

Cas­tro Alves

Poeta maior brasileiro

Publicado em 14 de março de 2005 por Olegario Schmitt

Cas­tro Alves (14/03/1847 — 06/07/1871)

Cas­tro Alves (Antô­nio Fre­de­rico de Cas­tro Alves), poeta, nas­ceu em Muri­tiba, BA, em 14 de março de 1847, e fale­ceu em Sal­va­dor, BA, em 6 de julho de 1871. É o patrono da Cadeira n. 7 da Aca­de­mia Bra­si­leira de Letras, por esco­lha do fun­da­dor Valen­tim Magalhães.

(...)

Duas ver­ten­tes se dis­tin­guem na poe­sia de Cas­tro Alves: a fei­ção lírico-amorosa, mes­clada da sen­su­a­li­dade de um autên­tico filho dos tró­pi­cos, e a fei­ção social e huma­ni­tá­ria, em que alcança momen­tos de ful­gu­rante eloqüên­cia épica. “ful­gu­rante eloqüên­cia épica“Como poeta lírico, caracteriza-se pelo vigor da pai­xão, a inten­si­dade com que exprime o amor, como desejo, frê­mito, encan­ta­mento da alma e do corpo, supe­rando com­ple­ta­mente o nega­ceio de Casi­miro de Abreu, a esqui­vança de Álva­res de Aze­vedo, o deses­pero acu­ado de Jun­queira Freire. A grande e fecun­dante pai­xão por Eugê­nia Câmara percorreu-o como cor­rente elé­trica, reorganizando-lhe a per­so­na­li­dade, ins­pi­rando alguns dos seus mais belos poe­mas de espe­rança, eufo­ria, deses­pero, sau­dade. Outros amo­res e encan­ta­men­tos cons­ti­tuem o ponto de par­tida igual­mente con­creto de outros poemas.

Enquanto poeta social, extre­ma­mente sen­sí­vel às ins­pi­ra­ções revo­lu­ci­o­ná­rias e libe­rais do século XIX, Cas­tro Alves viveu com inten­si­dade os gran­des epi­só­dios his­tó­ri­cos do seu tempo e foi, no Bra­sil, o anun­ci­a­dor da Abo­li­ção e da Repú­blica, devotando-se apai­xo­na­da­mente à causa abo­li­ci­o­nista, o que lhe valeu a anto­no­má­sia de “Can­tor dos escra­vos”. A sua poe­sia se apro­xima da retó­rica, incor­po­rando a ênfase ora­tó­ria à sua magia. No seu tempo, mais do que hoje, o ora­dor expri­mia o gosto ambi­ente, cujas neces­si­da­des esté­ti­cas e espi­ri­tu­ais se encon­tram na eloqüên­cia dos poe­tas. Em Cas­tro Alves, a embri­a­guez ver­bal encon­tra o apo­geu, dando à sua poe­sia poder excep­ci­o­nal de comunicabilidade.

Dele res­salta a figura do bardo que ful­mina a escra­vi­dão e a injus­tiça, de cabe­leira ao vento. A dia­lé­tica da sua poe­sia implica menos a visão do escravo como rea­li­dade pre­sente do que como epi­só­dio de um drama mais amplo e abs­trato: o do pró­prio des­tino humano, presa dos “a figura do bardo que ful­mina a escra­vi­dão e a injus­tiça“desa­jus­ta­men­tos da his­tó­ria. Encarna as ten­dên­cias mes­si­â­ni­cas do Roman­tismo e a uto­pia liber­tá­ria do século. O negro, escra­vi­zado, mis­tu­rado à vida coti­di­ana em posi­ção de infe­ri­o­ri­dade, não se podia ele­var a objeto esté­tico. Sur­giu pri­meiro à cons­ci­ên­cia lite­rá­ria como pro­blema social, e o abo­li­ci­o­nismo era visto ape­nas como sen­ti­mento huma­ni­tá­rio pela mai­o­ria dos escri­to­res que até então tra­ta­ram desse tema. Só Cas­tro Alves esten­de­ria sobre o negro o manto reden­tor da poe­sia, tratando-o como herói, como ser inte­gral­mente humano.

Obras: Espu­mas flu­tu­an­tes (1870); Gon­zaga ou a Revo­lu­ção de Minas (1876); A cacho­eira de Paulo Afonso (1876); Os escra­vos, obra divi­dida em duas par­tes: 1. A cacho­eira de Paulo Afonso; 2. Manus­cri­tos de Stê­nio (1883). Obras com­ple­tas Edi­ção do cinqüen­te­ná­rio da morte de Cas­tro Alves, comen­tada, ano­tada e com nume­ro­sos iné­di­tos, por Afrâ­nio Pei­xoto, em 2 vols.

Fonte: ABL

Amar e Ser Amado

Cas­tro Alves

Amar e ser amado! Com que anelo
Com quanto ardor este ado­rado sonho
Aca­len­tei em meu delí­rio ardente
Por essas doces noi­tes de des­velo!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abra­sa­dora frente!
Em teus olhos mirar meu pen­sa­mento,
Sen­tir em mim tu’alma, ter só vida
P’ra tão puro e celeste sen­ti­mento:
Ver nos­sas vidas quais dois man­sos rios,
Jun­tos, jun­tos perderem-se no oce­ano —,
Bei­jar teus dedos em delí­rio insano
Nos­sas almas uni­das, nosso alento,
Con­fun­dido tam­bém, amante — amado —
Como um anjo feliz... que pensamento!?

Comentários

  1. hevy­lin silva
    7 de agosto de 2008

    ado­rei! achei super legal vcs divul­ga­rem obras de cas­tro alves ele real­mente foi um otimo escri­tor abraco

  2. Car­los Barreto
    8 de agosto de 2008

    Muito bom você revi­si­tar Anto­nio Fre­de­rico de Cas­tro Alves.

    A poe­sia con­do­reira não pode parar!

Comente

Designed by