Sinal dos tempos

O que acon­tece com o mundo?

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Sinal dos tempos

O que acon­tece com o mundo?

Publicado em 25 de julho de 2006 por Olegario Schmitt

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No rosto não!
Ah, no rosto não!

Que mão se ergue em defesa
da sagrada parte do ser?
Vai rea­gir, tem cora­gem
de ata­car o pátrio poder?

Nunca se viu coisa igual
no mundo, na Rua Municipal.

— Par­ri­cida! Par­ri­cida!
alguém exclama entre os dois.
Abaixa-se a mão erguida
e fica o nome no ar.

Por que se inven­tam pala­vras
que furam como punhal?
Par­ri­cida! Par­ri­cida!
Com essa te vais matar
por todo o resto da vida.

C. D. de Andrade

Gesto e Pala­vra, In: Boitempo

Nos últi­mos tem­pos, certo tipo espe­cí­fico de assas­si­nato têm cha­mado a aten­ção. Pas­sa­dos pou­cos dias do des­fe­cho do caso Rich­to­fen (con­de­na­ção da ré pela morte bru­tal dos seus pró­prios pais), encon­tro duas notí­cias similares:

Uma prin­cesa da Malá­sia foi morta pelo filho de 21 anos ao ten­tar defen­der o seu marido.
A polí­cia disse que o filho, que é sobri­nho do sul­tão do estado malaio de Pahang, mor­reu mais tarde em um hos­pi­tal — supos­ta­mente de uma over­dose de drogas.

Fonte: BBC de Londres

Um homem con­fes­sou ter enve­ne­nado sua famí­lia para ficar com uma casa de herança, em Lagoa For­mosa, na região do Alto Para­naíba, em Minas Gerais. De acordo com a Polí­cia Mili­tar, Celso Alves Ribeiro, 43 anos, colo­cou veneno gra­nu­lado no pó do café e ser­viu para seus dois sobri­nhos, uma tia e uma irmã, na segunda-feira.

Fonte: Terra Notí­cias

A dege­ne­ra­ção com­pleta dos valo­res fami­li­a­res é claro sinal dos tem­pos, entre tan­tos que se mos­tram por aí, para quem qui­ser ver.

Nos­tal­gia do tempo em que “par­ri­cida” era ape­nas expres­são da obra de um poeta conturbado...

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