Que mundo é esse?

O Google Trends explica…?

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Que mundo é esse?

O Google Trends explica…?

Publicado em 03 de agosto de 2006 por Olegario Schmitt

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O Google Labs disponibilizou novo serviço, chamado Google Trends, onde você digita uma palavra e ele mostra quais lugares do mundo mais a pesquisaram.

Comecei ingenuamente minha busca pela palavra “arte”, em português mesmo porque tinha certeza de que o Brasil estaria em primeiro lugar, mas não demorou muito para que eu caísse na real. Então digitei “sexo” e o mundo inteiro se desvendou frente aos meus olhos. Eis os resultados:

Fazendo comparativo entre as palavras “arte” e “sexo”, com base em países, podemos ver a incrível diferença de interesse entre os dois assuntos:

Refazendo as mesmas pesquisas, porém utilizando palavras em inglês, o resultado foi o seguinte:

E a comparação entre essas palavras resultou no seguinte:

É interessante notar que as cidades com maior número habitantes não são necessariamente as mais interessadas em “arte”, contrariando o pensamento de que em cidades mais populosas, esse interesse deveria ser proporcionalmente maior. Há mais pessoas buscando “arte” em Brasília do que em São Paulo.

Misteriosamente, as cidades mais populosas também não apresentaram maior interesse por “sexo”, o que nos leva a ficar sem saber especificamente o que se passa na “mente coletiva” da população megalopolitana.

Nenhum país de“Nenhum país de primeiro mundo lista entre os mais interessados em ‘sex'” primeiro mundo lista entre os “10 mais” interessados em “sex” e na pesquisa comparativa de interesse entre os dois assuntos a diferença mostra-se bem menor do que naquela com as palavras em português/espanhol. Isso não significa que os países de primeiro mundo têm, necessariamente, menos interesse em sexo — quer dizer apenas que, nesses, o interesse entre “sex” e “art” é mais equilibrado.

Mesmo o resultado comparativo mostrando que a Índia é o único país fora do primeiro mundo que está entre os “10 mais” que pesquisam o assunto “art”, há de se considerar a diferença gritante entre a busca por “sex” e “art”, resultado direto do nível sócio-cultural geral da população.

Nota-se também na pesquisa individual não-comparativa entre as palavras em inglês, que nos lugares onde a repressão política e social é maior, a maioria das pessoas preferem buscar sexo em detrimento de cultura. Mas aqui, mais uma vez, estou sendo ingênuo, porque“Políticas repressoras e barreiras idiomáticas” isso não deve ser nenhuma novidade..

As políticas opressoras, onde quer que se encontrem, buscam reprimir o acesso à cultura como forma de manterem-se dominantes. A China, com seu intensivo controle estatal à Internet, poderia ser tomada como exemplo se, nesse caso, não fosse considerada a barreira idiomática. Levando-se em conta que o Japão, também bastante populoso, não pode ser considerado reprimido politicamente e mesmo assim também não consta nas listas, hipótese plausível seria a de que nesses países haja maior interesse pela cultura oriental em detrimento da ocidental, o que os faria pesquisar esses dois assuntos em seus próprios idiomas.

Se por um lado a nossa espécie é a única capaz de criar arte — e esse ato está relacionado à preservação da nossa cultura —, por outro o sexo “Sem sexo não há espécie, sem espécie não há cultura”está diretamente relacionado à preservação da espécie em si. Sem sexo, não há espécie. Sem espécie, não há cultura. Portanto…

Portanto, antes de se afirmar que sem sexo não há cultura, há de se considerar que as pessoas que procuram por sexo na internet não estão em busca de preservar os próprios genes — e assim, conseqüentemente, fornecer meios para a criação/perpetuação da sua própria cultura —, e sim em busca de algum tipo de satisfação pervertida sem fins reprodutórios.

Diante dessa evidência, fica a seguinte questão: uma espécie que, tendo o poder para escolher entre uma coisa e outra, prefere o sexo em detrimento da cultura, deveria ser preservada?

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