Hoje, aproximadamente 20 minutos antes da posse do novo presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, aquele país foi atingido por mais um terremoto, alcançando 6,9 graus na Escala Richter e terrificando os presidentes da América Latrina presentes no evento.
Não esqueçamos que o fato se deu nesse mesmo nosso continente onde a falta de memória parece ser um mal generalizado e onde cenas que deveriam ser unicamente trágicas frequentemente se transformam em cenas tragicômicas. Nós aprendemos a rir de nossas próprias tragédias. Aliás, aprendemos tão bem que agora não levamos quase nada a sério.
Como sabemos, é nos momentos de fraqueza que todos mostram quem verdadeiramente são. A terra tremeu, as máscaras caíram e, obviamente, acabou por revelar-se uma das cenas mais pândegas do ano.

Leo La Valle/EFE

Rafael — A Bênção de Cristo (c. 1506)
Nessa primeira imagem, temos Evo Morales (Bolívia), fazendo um gesto crístico com uma mão e uma figa (gesto pagão) com a outra. Como se nota, na hora do desespero o cocaleiro, pra garantir, se agarra a D’us e ao diabo. À sua direita Lugo (Paraguai), como que pregado na cadeira em momento de habitual paralisia, faz aquela sua cara abestada de sempre.

Martin Bernetti/AFP

Heavy Metal Satan Fingers
Na segunda imagem podemos ver Uribe (Colômbia) só pra variar com as pernas frouxas diante de um poder maior do que ele. Já quanto a Kirchner (Argentina), nunca saberemos ao certo se ela: a) está fazendo sinal de heavy metal ou b) uma invocação ao demônio ou c) suas mãos ficaram assim mesmo depois de tanto Botox e cirurgias plásticas para esticar o rosto.

Ivan Alvarado/Reuters

Delacroix — La Liberté guidant le peuple (1830)
A terceira imagem é a mais dantesca de todas: um senhor à esquerda transita entre Edir Macedo dando um passe na mulher loira e estar vendo com seus próprios olhos a luz depois do túnel. A cena como um todo tem um quê de tableau vivant de “A Liberdade Conduzindo o Povo” do Delacroix.
Ressalte-se que nesse momento o Príncipe de Espanha, Felipe (que não é O Belo), quedava-se soberanamente pálido no espaldar da porta entre o banquete da posse e o salão principal do evento.
Alan García (Peru), também não poderia nos deixar sem o Momento Lula do dia, presenteando-nos com essa linda pérola latrino-americana: “Deu para dançar um pouco com esse balançar”.
Algumas coisas podem ser apreendidas dessas imagens:
1. Os todo-poderosos da América Latrina (e Espanha) na hora do aperto também sentem medo. São meros seres humanos, como você e eu. E, assim como nós, também serão comidos pelos vermes e não levarão nada consigo. A moça loira à direita na terceira foto, por exemplo, parece desconhecer que sua bolsa de grife não passará com ela para o além-túmulo.
2. Os governantes latrino-americanos transparecem sua covardia e falta de postura pública adequada de maneira muito clara nos momentos de crise. Quem dera fosse apenas durante os terremotos.
3. Quando os simpatizantes de Pinochet retornam ao poder a Terra mostra seu desagrado.
Nenhum comentário
Seja o primeiro a comentar!
Comente