A terra tremeu, as máscaras caíram

Como reagem as personalidades da política latrinoamericana nos momentos de crise?

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A terra tremeu, as máscaras caíram

Como reagem as personalidades da política latrinoamericana nos momentos de crise?

Publicado em 11 de março de 2010 por Olegario Schmitt

Hoje, aproximadamente 20 minutos antes da posse do novo presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, aquele país foi atingido por mais um terremoto, alcançando 6,9 graus na Escala Richter e terrificando os presidentes da América Latrina presentes no evento.

Não esqueçamos que o fato se deu nesse mesmo nosso continente onde a falta de memória parece ser um mal generalizado e onde cenas que deveriam ser unicamente trágicas frequentemente se transformam em cenas tragicômicas. Nós aprendemos a rir de nossas próprias tragédias. Aliás, aprendemos tão bem que agora não levamos quase nada a sério.

Como sabemos, é nos momentos de fraqueza que todos mostram quem verdadeiramente são. A terra tremeu, as máscaras caíram e, obviamente, acabou por revelar-se uma das cenas mais pândegas do ano.

Leo La Valle/EFE

Rafael - A Bênção de Cristo (c. 1506)

Nessa primeira imagem, temos Evo Morales (Bolívia), fazendo um gesto crístico com uma mão e uma figa (gesto pagão) com a outra. Como se nota, na hora do desespero o cocaleiro, pra garantir, se agarra a D’us e ao diabo. À sua direita Lugo (Paraguai), como que pregado na cadeira em momento de habitual paralisia, faz aquela sua cara abestada de sempre.

Martin Bernetti/AFP

Heavy Metal Satan Fingers

Na segunda imagem podemos ver Uribe (Colômbia) só pra variar com as pernas frouxas diante de um poder maior do que ele. Já quanto a Kirchner (Argentina), nunca saberemos ao certo se ela: a) está fazendo sinal de heavy metal ou b) uma invocação ao demônio ou c) suas mãos ficaram assim mesmo depois de tanto Botox e cirurgias plásticas para esticar o rosto.

Ivan Alvarado/Reuters

Delacroix - La Liberté guidant le peuple (1830)

A terceira imagem é a mais dantesca de todas: um senhor à esquerda transita entre Edir Macedo dando um passe na mulher loira e estar vendo com seus próprios olhos a luz depois do túnel. A cena como um todo tem um quê de tableau vivant de “A Liberdade Conduzindo o Povo” do Delacroix.

Ressalte-se que nesse momento o Príncipe de Espanha, Felipe (que não é O Belo), quedava-se soberanamente pálido no espaldar da porta entre o banquete da posse e o salão principal do evento.

Alan García (Peru), também não poderia nos deixar sem o Momento Lula do dia, presenteando-nos com essa linda pérola latrino-americana: “Deu para dançar um pouco com esse balançar”.

Algumas coisas podem ser apreendidas dessas imagens:

1. Os todo-poderosos da América Latrina (e Espanha) na hora do aperto também sentem medo. São meros seres humanos, como você e eu. E, assim como nós, também serão comidos pelos vermes e não levarão nada consigo. A moça loira à direita na terceira foto, por exemplo, parece desconhecer que sua bolsa de grife não passará com ela para o além-túmulo.

2. Os governantes latrino-americanos transparecem sua covardia e falta de postura pública adequada de maneira muito clara nos momentos de crise. Quem dera fosse apenas durante os terremotos.

3. Quando os simpatizantes de Pinochet retornam ao poder a Terra mostra seu desagrado.

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