A Nova Luz da República

A Nova República platônica é iluminada… com as brasas das fogueiras

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A Nova Luz da República

A Nova República platônica é iluminada… com as brasas das fogueiras

Publicado em 26 de julho de 2006 por Olegario Schmitt

Era uma vez uma República Feita de Brasas, governada por um Sapo Cururu muito gordo o qual, diziam as más línguas, gostava de beber água da fonte Que Passarinho Não Bebe.

Apesar da saparada não ser predominantemente indígena, “cururu” era palavra originada da língua dizimada dos índios Tupis, o que tornava a todos, por extensão, tupininquins, cujo coletivo era polvo.

Antes de alcançar o poder, Vossa Cururuleza passara a vida toda grulhando trabalho na caverna escura e“lula: da raça mesma do polvo” platônica que era a República. Dizia que havia luz lá fora e que se lhe fosse concedido o trono ao qual tinha direito por nascença — ele assim pensava, convencendo a todos do mesmo, porque era uma lula, da raça mesma do polvo, porém não tão burra —, haveria de mostrar a todos, indistintamente, o quão feliz e bela seria a vida sob a Nova Luz da República.

Mas para que o Cururu saisse para fora da caverna, seria preciso que os sapos — ou pelo menos a maioria mais um deles — fizessem fila indígena no Portal, também chamado de Boca da Urna, possibilitando que Vossa Sapeza, pisando na cabeça de cada um deles, finalmente alcançasse a Luz, de onde então poderia, heroicamente, içar os sapos todos para fora.

É claro que ele não deixava suas palavras no ar: tudo o que dizia era sob juramento à Deusa da Promessa Furada. “Deus da Promessa Furada”Sendo os sapos tupininquins muito crédulos, pois apesar de não serem indígenas continham em si a mesmíssima ingenuidade devido à absorção etimológica, acreditaram piamente nas grulhas de Vossa Sapoleza e fizeram a fila, enfeitiçados com cega esperança em Promessa Furada.

Mas quando finalmente V. S. conseguiu ver a luz, percebeu de imediato quantas sombras se escondiam nela. Muito astuto, pensou no quanto tais sombras poderiam ocultar e no quanto seria fácil ludibriar a visão escurecida daqueles que estavam desde sempre dentro da caverna.

Entre sombras, foram passando quatro anos. Quando o Vento da Indignação soprava um pouco mais forte, podia-se ouvir ecoar através das matas de pau-brasa o grasnar dos sapos esquecidos inquirindo sobre a tão prometida Nova Luz da República.

Vossa Cururuleza, pulando de um lado para outro o tempo todo, dizia que quatro anos não haviam sido suficientes“Santa Burrice” para tirá-los de lá: para que todos finalmente conseguissem sair, precisaria que fosse reavivada a cega esperança, também conhecida como Santa Burrice, e que lhes dessem mais quatro anos.

Então o polvo, tateando às cegas as paredes da caverna da República, com toda sua ingenuidade tupininquim, continuou rezando crédulo à Deusa da Promessa Furada…

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