Vin­cent Wil­lem van Gogh

Pequeno per­fil

Arte

Vin­cent Wil­lem van Gogh

Pequeno per­fil

Publicado em 30 de março de 2005 por Olegario Schmitt

Auto-Retrato — van Gogh
(1853 — 1890)

Rebelde, incli­nado à soli­dão, até mesmo inso­ciá­vel, van Gogh é um desa­jus­tado no seu lar, em sua terra e em sua sociedade.

Desde jovem, tem difi­cul­dade em se ade­quar aos padrões e passa por diver­sos tra­ba­lhos, até que des­co­bre sua ver­da­deira apti­dão, a pin­tura. É aju­dado por seu irmão mais novo The­o­dore, a quem chama cari­nho­sa­mente de Theo. Foi seu amparo afe­tivo, emo­ci­o­nal e econômico.

Em 1876, vive suas pri­mei­ras cri­ses ner­vo­sas e tem na reli­gião um refú­gio. Resolve ser pas­tor. Mas nem assim ele se aqui­eta. Pre­gava pouco e se pre­o­cu­pava demais com os doen­tes e crianças.

Quando resolve pin­tar, Theo o ajuda, pois neste período é um dos diri­gen­tes da Gale­ria Gou­pil. Theo está em Paris, o cen­tro artís­tico. Com o dinheiro que ele manda, van Gogh estuda ana­to­mia e pers­pec­tiva. Resolve pin­tar a sua terra e os homens sim­ples. Não deseja fazer uma pin­tura clás­sica, pin­tar “gente que não tra­ba­lha”. E diz:

Eu não quero pin­tar qua­dros, quero pin­tar a vida”.

Vida para ele são pai­sa­gens e gente, isto é, cam­po­ne­ses e minei­ros, campo e trigais.

Em 1885/86, “O pin­tor do futuro será um colo­rista como nunca foi pos­sí­vel antes” — van Goghvan Gogh está em Antuér­pia, onde ele se apai­xona defi­ni­ti­va­mente pela cor:

O pin­tor do futuro será um colo­rista como nunca foi pos­sí­vel antes”.

Era um excep­ci­o­nal artista que foi bus­car lá fora, na pró­pria natu­reza, o colo­rido, as for­mas revol­tas, as árvo­res far­fa­lhan­tes, as casas soli­tá­rias, os ros­tos sofri­dos, os cor­pos alque­bra­dos, os céus estre­la­dos, o ama­relo dos giras­sóis e dos tri­gais, tudo com um bri­lho muito exa­ge­rado para ter mais expres­são. Ele dizia:

Pro­curo com o ver­me­lho e o verde expri­mir as mais ter­rí­veis pai­xões huma­nas. Quero pin­tar o retrato das pes­soas como eu as sinto e não como eu as vejo”.

Em 1888 (Arles) pinta ao ar livre. Quando chega o verão e o sol, van Gogh liberta as cores:

Eu quero a luz que vem de den­tro, quero que as cores repre­sen­tem as emoções”.

A seu con­vite, Gau­guin chega em outu­bro, para tra­ba­lha­rem jun­tos. Seguem-se dois meses de tra­ba­lho duro é fér­til para ambos. Mas a dife­rença de tem­pe­ra­mento e de ati­tude diante da vida acaba explo­dindo numa ine­vi­tá­vel desavença.

Van Gogh tem cri­ses de humor, dis­cute, agride o amigo, sofre de mania de per­se­gui­ção e numa das cri­ses tenta ferir Gau­guin com uma nava­lha. Perde a luta, é levado para a cama em lágri­mas e com des­con­trole mus­cu­lar. Arre­pen­dido, corta, de pro­pó­sito, um pedaço da ore­lha e manda num enve­lope à mulher que moti­vou a briga.

Reco­lhido ao hos­pi­tal Saint-Paul para doen­tes ner­vo­sos, mais tarde pinta, diante do “ape­sar de sua grande pro­du­ção, ven­deu um único qua­dro em sua vida toda“espe­lho, o Auto-retrato com a ore­lha cor­tada. Seu olhar é de espanto, mágoa e melancolia.

Em maio de 1889 ele mesmo pede ao irmão que o interne. Vai ao hos­pi­tal de Saint-Rémy. Seu quarto do hos­pi­tal é trans­for­mado em ate­lier. Pinta sem parar, e manda dizer ao irmão que está pin­tando bem. Pinta pai­sa­gens, o hos­pi­tal, os doen­tes, as celas, o pátio e os médi­cos. Ape­sar de sua grande pro­du­ção, ven­deu um único qua­dro em sua vida toda.

Seus últi­mos qua­dros já mos­tram defor­ma­ções mais for­tes, pois van Gogh pre­fere pin­tar a sua pró­pria rea­li­dade. Os tri­gais são tur­bu­len­tos e inqui­e­tos, os cipres­tes estão trê­mu­los, angus­ti­an­tes, cheios de ten­são, as oli­vei­ras tornam-se exal­ta­das e torcidas.

No dia 27 de julho de 1890 sai para o campo de trigo com um revól­ver na mão. É domingo, o grão está dou­rado, o céu incri­vel­mente azul. Cor­vos mui­tos pre­tos gri­tam e fogem em revo­ada. Dias antes ele pin­tou esse qua­dro. No meio do campo dá um tiro no peito.

Vin­cent van Gogh com sua pin­tura con­tri­buiu para a pin­tura moderna com a vitó­ria da cor sobre o dese­nho, libertando-a. Foi o pre­cur­sor do Expressionismo.

Fonte: Os Gran­des Artis­tas: van Gogh — Nova Cultural

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