Arte

Opiniões meio cretinas sobre arte contemporânea.

Arte

A tri­lha sonora da Divina Comé­dia de Dante Alighieri

Publicado em 10 de junho de 2011 por Olegario Schmitt

 

Ima­gine se os tor­men­tos do Inferno de Dante não fos­sem dita­dos por cas­ca­tas de san­gue bor­bu­lhante nem por solas dos pés sendo con­su­mi­das em fogo por toda a eter­ni­dade, mas sim por músi­cas clás­si­cas tocando em loo­ping, ad-infinitum. Ima­gine tam­bém a angús­tia de um Pur­ga­tó­rio sendo asso­lado cons­tan­te­mente pelo Vôo do Besouro ou um Paraíso cujo arre­ba­ta­mento seja obtido atra­vés do Mag­ni­fi­cat de Bach.

As asso­ci­a­ções aqui apre­sen­ta­das são ape­nas “umas asso­ci­a­ções”: não têm a ver dire­ta­mente com a pre­sença ou ausên­cia de beleza de cada uma das com­po­si­ções, mas sim com as sen­sa­ções que cada uma delas (me) trans­mite. Dessa forma, você é livre para con­cor­dar ou dis­cor­dar des­sas escolhas.

Seguindo ordem diversa daquela de Dante, se come­çará pelo cír­culo mais infame do Inferno e, a par­tir daí, se irá ascen­dendo con­ti­nu­a­mente até que se alcance por fim o Empí­reo, região eté­rea, a mais alta do Paraíso. Con­ti­nuar lendo »

Sabe D’us do que...

Publicado em 07 de setembro de 2010 por Olegario Schmitt

Gau­den­zio Mar­coni (1841–1885), Le tireur d’épine (“O Espi­ná­rio”), c. 1870

A arte con­tem­po­râ­nea na mai­o­ria das vezes, como diria Millôr, é “um não sei quê pra não sei como” e isso me deixa sim­ples­mente nauseado.

Mas, afi­nal, é disso mesmo que se trata a arte con­tem­po­râ­nea, não é? De pro­vo­car uma rea­ção no espectador?

Por­tanto, como espec­ta­dor, me sinto no direito de ter a rea­ção que eu achar ade­quada, como naquela vez em que fui ver uma obra do Nuno Ramos onde tinha de tirar os sapa­tos e ficar cami­nhando em cima dela só de meias. Fiquei pen­sando “eis aí o meu chulé. o meu chulé é o que eu penso da sua obra. toma, toma chulé na sua obra de merda, toma”.

Con­fesso que impreg­nar a obra de Nuno Ramos com meu chulé foi uma sen­sa­ção liber­ta­dora. E a arte existe pra isso mesmo, né? Pra liber­tar... nem que seja o chulé.

Alguma coisa não bate...

Publicado em 31 de maio de 2009 por Olegario Schmitt

Ode ao Lixo

Expo­si­ção: Vik Muniz
Cura­do­ria: Vik Muniz
Data: 19/05/2009
Local: MASP — São Paulo


São 131 obras ao todo, inte­gran­tes de 24 tra­ba­lhos dife­ren­tes: Linha, Equi­va­len­tes, Indi­ví­duos, Arame, Açú­car, Terra, Tinta, Mon­ti­nhos, Dia­man­tes e Caviar, Môna­das, Rebus, Revis­tas, Pig­men­tos, Cho­co­late, Mapa Mundi, Quebra-Cabeças, Papéis, Poeira, Lixo, Sucata, Duas Ban­dei­ras, Cores, Earth WorksCár­cere, além de uma ima­gem com­ple­ta­mente solta (Cami­nhante sobre um mar de cin­zas). Alguns tra­ba­lhos fazem parte de séries mai­o­res, outros são díp­ti­cos ou trípticos.

Sendo impro­fí­cuo dis­cor­rer sobre cada uma das séries indi­vi­du­al­mente, serão pon­tu­a­dos alguns “pon­tos altos” da expo­si­ção como, por exem­plo, o fato de a segunda série mos­trada, Equi­va­len­tes, dia­lo­gar com a ter­ceira, Indi­ví­duos. “diá­lo­gos“Numa, bichi­nhos fei­tos com algo­dão, clara refe­rên­cia ao pas­sa­tempo “infan­til” de des­co­brir ani­mais nas nuvens; nou­tra, nuvens dese­nha­das num céu limpo com o auxí­lio de aviões de fumaça. Nota-se aí, além da fina iro­nia que per­meia todo o tra­ba­lho, essa ten­dên­cia de apro­pri­a­ção do lúdico comum às pes­soas, para então transfigurá-lo.

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Jesus gave me water...

Publicado em 24 de setembro de 2008 por Olegario Schmitt

Viver é repe­ti­ção, pul­sar rít­mico do coração

Publicado em 22 de agosto de 2008 por Olegario Schmitt

repro­du­zir em loo­ping, ad infi­ni­tum

Ins­ta­la­ção do tipo Sítio Espe­cí­fico em ASCII Art

Publicado em 16 de junho de 2008 por Olegario Schmitt

Vídeo com a mon­ta­gem da obra “Eleve-se!” sobre uma porta de elevador.

As legen­das estão embu­ti­das em inglês, com closed-caption em português.

Uma pipo­qui­nha para Andy

Publicado em 03 de agosto de 2005 por Olegario Schmitt

Pop Corn — Série Para Andy

A Pop Art está para o penico de DuChamp (Foun­tain, 1917) assim como a m**** está para o seu ven­ti­la­dor (Rotary Glass Pla­tes (Pre­ci­sion Optics), 1920), como se ela, espa­lhada sobre ele ou a roda de bici­cleta (Bicy­cle Wheel/Roue de Bicys­lette, 1913), abrisse defi­ni­ti­va­mente as por­tas para a deca­dên­cia da arte moderna, cri­ando espaço para que toda essa leva de artis­tas con­tem­po­râ­neos — cheios de con­cei­tos mas vazios de sen­tido — pudes­sem se pro­li­fe­rar como ver­da­dei­ros des­cen­den­tes do Gre­gor Samsa kafkaniano.

E inse­rida nesse con­texto pós-penico-de-DuChamp está a Pop Art que, nos tem­pos “pho­toshopicos” atu­ais, tem seu sen­tido — se é que algum dia o teve — res­trito uni­ca­mente à gra­tui­dade contemporânea.

Ape­sar de minha pró­pria arte nessa série — por se tra­tar de “cópia” de idéia pré-existente — não dei­xar de ter tam­bém seu lado duvi­doso (bem à moda dos tem­pos moder­nos), ela não chega a ser gra­tuita, uma vez que busca res­sal­tar — obvi­a­mente segundo minha opi­nião — a futi­li­dade de “boa” parte da arte moderna.

Conheça os outros arti­gos fei­tos cari­nho­sa­mente “para Andy” e seus fiéis segui­do­res, cli­cando na tag “para andy”, abaixo. A série inteira pode ser visto no site OleSchmitt.com.br atra­vés deste link.

Pequeno per­fil

Publicado em 30 de março de 2005 por Olegario Schmitt

Auto-Retrato — van Gogh
(1853 — 1890)

Rebelde, incli­nado à soli­dão, até mesmo inso­ciá­vel, van Gogh é um desa­jus­tado no seu lar, em sua terra e em sua sociedade.

Desde jovem, tem difi­cul­dade em se ade­quar aos padrões e passa por diver­sos tra­ba­lhos, até que des­co­bre sua ver­da­deira apti­dão, a pin­tura. É aju­dado por seu irmão mais novo The­o­dore, a quem chama cari­nho­sa­mente de Theo. Foi seu amparo afe­tivo, emo­ci­o­nal e econômico.

Em 1876, vive suas pri­mei­ras cri­ses ner­vo­sas e tem na reli­gião um refú­gio. Resolve ser pas­tor. Mas nem assim ele se aqui­eta. Pre­gava pouco e se pre­o­cu­pava demais com os doen­tes e crianças.

Quando resolve pin­tar, Theo o ajuda, pois neste período é um dos diri­gen­tes da Gale­ria Gou­pil. Theo está em Paris, o cen­tro artís­tico. Com o dinheiro que ele manda, van Gogh estuda ana­to­mia e pers­pec­tiva. Resolve pin­tar a sua terra e os homens sim­ples. Não deseja fazer uma pin­tura clás­sica, pin­tar “gente que não tra­ba­lha”. E diz:

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