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agosto de 2010

Sobre isso pen­sar você vai?

Publicado em 31 de agosto de 2010 por Olegario Schmitt

Look, Mamma, I went blue and cubist at the same time

Uma vez eu conheci um poeta que escre­via tudo de trás pra frente. Em vez de dizer “o céu é azul e bonito” ele dizia algo como “céu, bonito e azul, é”. Aí você per­dia horas mon­tando o verso na seqüên­cia cor­reta só pra des­co­brir enfim que ele que­ria dizer ape­nas e sim­ples­mente “o céu é azul e bonito”.

Como sem­pre gos­tei muito do Mario Quin­tana e quando este que­ria dizer que o céu era bonito e azul sim­ples­mente pegava e dizia, per­gun­tei pro poeta esse qual era o sen­tido de escre­ver tudo de trás pra frente.

Ele não gos­tou — dis­s­que ele era um douto que tinha estu­dado mui­tos anos pra apren­der a escre­ver de trás pra frente e dis­s­que isso era muito chi­que, sobre­tudo pra quem tinha estu­dado mui­tos anos.

Quin­tana e eu não havía­mos estu­dado mui­tos anos, a gente não tinha vindo de escola nenhuma. Aca­ba­mos per­dendo o amigo e mais uns outros que gos­ta­vam de coi­sas de trás pra frente assim como ele.

Ainda agora, tan­tos anos pas­sa­dos, essa his­tó­ria me con­some, por­que até hoje não des­co­bri se ele era um poeta cubista ou algum tipo de Mes­tre Yoda da metalinguística.

Você é daquele tipo que não julga? Para­béns, você é um cretino!

Publicado em 28 de agosto de 2010 por Olegario Schmitt

Lago Argen­tino, El Calafate

Todo con­ceito é ou será um pre­con­ceito. Isso se dá a par­tir do momento em deter­mi­nada pes­soa pense dife­rente de você. O que acon­tece então é que o con­ceito DELA é que será o con­ceito, e o seu será o pré-conceito.

Taxar algo de pre­con­ceito é algo que não chega real­mente a ser um argu­mento, mas sim um golpe baixo, tão baixo a ponto de fazer A Arte de Insul­tar de Scho­pe­nhauer um livro para cri­an­ças em fase pré-cognitiva.

Trata-se de uma argu­men­ta­ção vazia em si mesma: por ser pre­con­ceito, não tem sen­tido, mas “argu­mento vazio“não tem sen­tido UNI­CA­MENTE por ser pre­con­ceito. Atente-se tam­bém para o fato de que o acu­sa­dor não con­si­dera sua pró­pria defi­ni­ção ela mesma um pre­con­ceito: pre­con­ceito é uni­ca­mente o con­ceito do outro.

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