março de 2010

As simi­la­ri­da­des entre escri­to­res e serial-killers

Publicado em 24 de março de 2010 por Olegario Schmitt

Escre­ver é uma forma de crime e, por isso, todo escri­tor cul­tiva den­tro de si carac­te­rís­ti­cas pecu­li­a­res a um serial-killer. Como este, con­se­gue igno­rar sole­ne­mente aquela vozi­nha do ego que diz “você não deve­ria fazer escre­ver isso, vão aca­bar pen­sando que você está falando é de você mesmo”. O assas­sino em série, como o escri­tor, na ver­dade sabe muito bem dife­ren­ciar o certo do errado, mas sim­ples­mente não se importa. “É como se uma força, mais forte do que eu, me impe­lisse a matar escre­ver”. “Quando vol­tei a mim, já havia come­tido o crime conto”.

Todo escri­tor é um sór­dido. Nas cenas finais de Ham­let, os per­so­na­gens inva­ri­a­vel­mente matando-se uns aos outros, Sha­kes­pe­are nada faz para impedi-los. Ele pode­ria trans­for­mar, subi­ta­mente, as espa­das em len­ços de seda e os vene­nos em pur­gan­tes, evi­tando assim o trá­gico des­fe­cho. Mas Sha­kes­pe­are não faz nada. E se não faz nada é por­que na ver­dade ele gosta.

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