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agosto de 2009

Essa poeta é uma seren­di­pi­dade ambulante

Publicado em 12 de agosto de 2009 por Olegario Schmitt

Seren­di­pi­dade é a apti­dão, facul­dade ou dom de atrair o acon­te­ci­mento de coi­sas feli­zes ou úteis, ou de descobri-las por acaso. Em deri­va­ção por meto­ní­mia, é cada uma des­sas coi­sas feli­zes ou úteis. (Hou­aiss)

Seren­di­pi­dade I

Há diver­sos anos — nin­guém sabe exa­ta­mente quan­tos, mas tal­vez seja uns 10 — Nalú Nogueira e eu nos encon­tra­mos em algum recanto vir­tual de poe­tas. Foi uma coisa esqui­sita: nos gos­ta­mos de pronto, para todo o sem­pre amém. Escre­vía­mos jun­tos, díade: cada um fazendo um verso como uma valsa. Por vezes ter­mi­ná­va­mos os escri­tos um do outro. Virá­va­mos dias e noi­tes em fre­ne­sis lite­rá­rios infindáveis.

Nunca nos vimos pes­so­al­mente. Porém, ao con­trá­rio do que pode pen­sar os incau­tos — ou não ini­ci­a­dos —, os bits, bytes e Kby­tes eram ape­nas o meio de mate­ri­a­li­za­ção de algo deve­ras real.

Dico­to­mia: os tem­pos foram pas­sando con­forme aban­do­ná­va­mos len­ta­mente esse único meio de con­ví­vio. Per­de­mos o con­tato, cada um foi para um canto, isso acon­tece com todo mundo.

Seren­di­pi­dade II

Mui­tos anos depois, nos reen­con­tra­mos no Twit­ter, atra­vés de uma amiga em comum. Foi meio por acaso, óbvio!

Esta­mos deve­ras dife­ren­tes, pra­ti­ca­mente não escre­ve­mos mais poe­sia. Mas ainda somos feli­zes — nem mais nem menos, ape­nas diferente.

Seren­di­pi­dade III

Revi­rando minhas velhas cai­xas à pro­cura de um manual, encon­trei um impresso enca­der­nado com a capa azul trans­pa­rente. Claro, tinha de ser azul. Claro, tinha de ser trans­pa­rente. Claro, tinha de ser uma vez mais atra­vés da serendipidade.

Na capa, em letras gar­ra­fais: Nalú Nogueira — trata-se de uma sele­ção de poe­mas dessa poe­ta­miga a quem admiro tanto.

Fui atro­pe­lado por um jorro de emo­ções esque­ci­das e a sau­dade bateu. Como não poeto mais com tanta faci­li­dade, resolvi fazer essa série de três arti­gos para Nalú Nogueira. Não cabia tudo num só, assim como às vezes aquilo que sen­ti­mos não cabe tudo num poema.

Não sei ao certo se é na ten­ta­tiva de que algo não morra ou de que res­sus­cite, mas tenho cer­teza de que a Pala­vra deve se man­ter sem­pre viva den­tro de nós.

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