
As coisas não têm sentido,
porque único sentido que existe nas coisas
é o sentido que lhes atribuímos.
Assim sendo posso atribuir
qualquer sentido à qualquer coisa
que não fará diferença nenhuma.
Atribuo, por exemplo, o sentido
de candelabro a meus dedos.
E o céu é verde-claro nos dias de sol
e verde-musgo durante
as noites e dias de chuva.
E as armas são pirulitos
e as balas são borboletas
e o sangue é o caramelo da vida.
Sei que meus dedos continuam apagados
e que o céu ainda é dessa cor
que a gente pensa que é azul,
mas gosto de imaginá-los assim
porque o mundo é do jeito que eu vejo
e o vejo do jeito que eu quero ver.

