Arquivo - maio

Arquivos para o mês de maio

maio de 2008

Qual é o sen­tido das coisas?

Publicado em 18 de maio de 2008 por Olegario Schmitt

As coi­sas não têm sen­tido,
por­que único sen­tido que existe nas coi­sas
é o sen­tido que lhes atribuímos.

Assim sendo posso atri­buir
qual­quer sen­tido à qual­quer coisa
que não fará dife­rença nenhuma.

Atri­buo, por exem­plo, o sen­tido
de can­de­la­bro a meus dedos.

E o céu é verde-claro nos dias de sol
e verde-musgo durante
as noi­tes e dias de chuva.

E as armas são piru­li­tos
e as balas são bor­bo­le­tas
e o san­gue é o cara­melo da vida.

Sei que meus dedos con­ti­nuam apa­ga­dos
e que o céu ainda é dessa cor
que a gente pensa que é azul,
mas gosto de imaginá-los assim
por­que o mundo é do jeito que eu vejo
e o vejo do jeito que eu quero ver.

Os qua­tro anos do blog e os Qua­tro Cava­lei­ros do Apocalipse

Publicado em 16 de maio de 2008 por Olegario Schmitt

Albre­cht Dürer — Os 4 Cava­lei­ros do Apocalipse

Num mundo onde cada vez mais se per­cebe uma gene­ra­li­zada falta de leit­mo­tiv, de ausên­cia de cará­ter, a sel­va­ge­ria do indi­vi­du­a­lismo desen­fre­ado afe­tando todo o cole­tivo, inclu­sive as pes­soas pra­ti­can­tes des­sas ati­tu­des, há qua­tro anos nas­cia o Sinal dos Tem­pos Blog. Com logo exi­bindo uma bomba atô­mica, escrito por um cara uti­li­zando más­cara quí­mica, o Blog nunca teve inten­ção de ser oásis em meio a esse deserto.

Por­tanto, antes de come­mo­rar os cerca de 200 visi­tas e 2500 hits diá­rios — isso num ambi­ente sem fadi­nhas ou bor­bo­le­ti­nhas esvo­a­çan­tes —, é impor­tante que se man­te­nha vivo o pro­pó­sito desse espaço.

Gos­ta­ria de ter asso­ci­ado o número de ani­ver­sá­rios com as esta­ções do ano, se estas ainda exis­tis­sem, ou quiçá com os pon­tos car­de­ais, se a huma­ni­dade não tivesse per­dido seu norte há muito tempo. Até os nés­cios per­ce­bem que o mundo está mudando e por mui­tas vezes é ine­vi­tá­vel ado­tar certo tom apo­ca­líp­tico: são qua­tro anos e eram qua­tro cava­lei­ros, sina­li­zando a con­quista, o exter­mí­nio, a fome e a morte.

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Um pen­sa­mento inflamado

Publicado em 13 de maio de 2008 por Olegario Schmitt

Somos uma coisa, pas­sa­mos ser outra com­ple­ta­mente dife­rente e o que as pes­soas pen­sam que somos é ainda uma ter­ceira coisa, que não tem nada a ver com a his­tó­ria. No meio disso tudo, onde fica o que somos de verdade?

Nessa busca, aca­bei por des­co­brir que minha essên­cia está per­so­ni­fi­cada no dedão do meu pé: sem­pre com uma unha encra­vada, algo por den­tro que inco­moda e lateja e tenta ras­gar seu cami­nho para fora.

Por isso a arte...

Quando se escra­fu­nha ali, digo, aqui, sem­pre dói muito e fica a sen­sa­ção de que ficou alguma coisa escon­dida lá den­tro, mas que a gente não con­se­gue ver direito...

Acho que sou meu dedão do pé por­que nos melho­res dias inflamo.

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