Arquivo - outubro

Arquivos para o mês de outubro

outubro de 2007

Como seria o nosso mundo sem ima­gens fotográficas?

Publicado em 22 de outubro de 2007 por Olegario Schmitt

O mundo urbano con­tem­po­râ­neo sem a exis­tên­cia da foto­gra­fia é a tal ponto ini­ma­gi­ná­vel, que soa mais sen­sato gra­far “um mundo” em detri­mento de “o mundo”: só é pos­sí­vel men­su­rar sem foto­gra­fia um mundo que não este.

Ape­sar de as más lín­guas afir­ma­rem que “uma ima­gem vale por mil pala­vras”, se assim o fosse, não seria mais neces­sá­ria a exis­tên­cia da gra­fia e, con­seqüen­te­mente, desse mesmo texto: tudo aquilo sobre o que é aqui dis­cor­rido seria repre­sen­tado atra­vés de ima­gens. Não é neces­sá­rio muita ima­gi­na­ção para“uma ima­gem vale por mil pala­vras?” suben­ten­der que, dessa forma, não tar­da­ria em exis­tir novo alfa­beto, de certa maneira simi­lar ao egíp­cio, onde em vez de letras exis­ti­riam uni­ca­mente fotografias.

Se uma ima­gem não vale por mil pala­vras, o impacto cau­sado por ela, no entanto, pode sim ser con­si­de­rado no mínimo mil vezes mais pro­fundo: dife­rente de ler a des­cri­ção da cena onde um menino cata lixo para sobre­vi­ver, é ver a sua ima­gem no ato.

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Dei­xai toda a espe­rança, vós que entrais no Brasil

Publicado em 22 de outubro de 2007 por Olegario Schmitt

Esra Ersen — 27ª Bie­nal de São Paulo

Não se iluda: no arco da nossa porta verde-amarela, nem Gon­çal­ves Dias, nem Bilac, mas Dante, Canto III do Inferno: “Dei­xai toda a espe­rança, vós que entrais”.

O Bra­sil não tem jeito. A rea­li­dade é esta. Aceitemo-na tal qual ela é: dura, fria, amorfa como os cor­pos do mais novo aci­dente aéreo.

O que faze­mos quando um polí­tico inves­ti­gado por cor­rup­ção toma posse? NADA. O que faze­mos quando acon­tece mais um aci­dente aéreo? Con­ti­nu­a­mos tomando vôos no mesmo aero­porto e, assim como o pre­si­dente, mani­fes­ta­mos comi­se­ra­ções de alcova.

Todos “Dei­xai toda a espe­rança, vós que entrais” — Dantesabem que nada acon­te­cerá, por­que nada acon­tece mesmo. E não acon­tece por­que nin­guém faz nada: nem você. Não acon­tece por­que nin­guém está nem aí: recla­ma­mos e para­mos em mão-dupla, devol­ve­mos car­tei­ras per­di­das e joga­mos lixo no chão. Tudo não passa de uma grande festa! Ôba! Ôba! Rouba! Rouba!

A grande mai­o­ria que estufa o peito e diz que o Bra­sil tem jeito está na ver­dade con­fun­dida: isto que cha­mam espe­rança não é nada mais do que ilu­são. Por­tanto, aban­do­nar toda a espe­rança já é um bom começo — o ceti­cismo nii­lista pode ser obs­curo, deses­pe­ra­dor e tris­tís­simo, mas cer­ta­mente não é iludido.

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Ris­cando os erros

Publicado em 14 de outubro de 2007 por Olegario Schmitt

by Joe Lee

Ficou a impres­são de que o artigo ante­rior está ali, sujando meu blog. E tal­vez a morte do gerún­dio não valha tanto assim.

As moe­das têm dois lados, às vezes têm duas caras (lesando a coroa em dobro).

Na vida con­tem­po­râ­nea, ano­ré­xica de heróis, parca de mode­los ou exem­plos, ser dis­cí­pulo de Dió­ge­nes é tarefa cada vez mais ingrata, a “bene­vo­lên­cia” gover­na­men­tal não pas­sando de mera esmola atada a um fio.

Dessa forma, VOU ESTAR RIS­CANDO o artigo, no gerún­dio mesmo, não na ten­ta­tiva de ocul­tar um erro, mas na inten­ção jus­ta­mente de admití-lo.

E apro­veito a opor­tu­ni­dade para ris­car tam­bém outras palavras:

Bra­sí­lia
Cor­rup­ção
Deso­nes­ti­dade
Mau-Caratismo
Apatia

A ques­tão é: dessa vez, estou ris­cando o erro de quem?

Vamos estar eli­mi­nando o gerún­dio de nos­sas vidas?

Publicado em 01 de outubro de 2007 por Olegario Schmitt

José Roberto Arruda, Gover­na­dor do DF — Foto: Alan Marques

Jamais pen­sei que, em algum ponto da vida, che­gasse ao ponto de dizer isso: esse homem hoje foi meu herói.

Leia abaixo a repor­ta­gem da Reda­ção Terra:

O gover­na­dor do Dis­trito Fede­ral, José Roberto Arruda, “demi­tiu”, em decreto publi­cado nesta segunda-feira no Diá­rio Ofi­cial do Dis­trito Fede­ral, “o gerún­dio de todos os órgãos do Governo Fede­ral”. O gerún­dio é uma forma nomi­nal do verbo, inva­riá­vel, ter­mi­nada em “ndo”, nor­mal­mente usada para expres­sar sen­tido de con­ti­nui­dade, por exem­plo, esta­mos “pro­vi­den­ci­ando”. De acordo com o decreto de Arruda, o uso do “gerún­dio para des­culpa de ine­fi­ci­ên­cia” está proi­bido a par­tir desta segunda nos órgãos do governo.

É, toda moeda tem dois lados mesmo. E quem rir por último, cer­ta­mente estará rindo melhor...

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