
Inês de Castro (1325–1355)
Agora é tarde: Inês é morta.
Acabada, cessada, decedida, defuncionada, desaparecida, esticada, exicida, extinta, falecida, fenecida, finda, finada, partida, passada, perdida, perecida, transitada, transpassada.
Às favas o galicismo provençal: game over para Inês! Se “morte” significa cessar de existir, Inês não mais É, deixou de ser.
Porém, não obstante o fato, Inês continua sendo (“Inês é”) e logo se nota que o acontecimento pode ser trágico, mas jamais definitivo.
Ao revés, se fosse dito “Inês ESTÁ morta”, haveria aí espaço para uma possibilidade, mesmo que remota, de que ela pudesse deixar de estar assim, como se dormisse.
Por isso, toda vez que Hamlet indaga à caveira “Ser ou não ser — eis a questão”, tenho vontade de exclamar indignado: “Ser E não ser — eis a resposta!”. Pois que outra explicação plausível haveria senão a de que Inês, ao deixar de ser, passou a ser novamente?
A morte é um paradoxo, definitivamente há pessoas que não morrem nunca. “Ah, cessar, mas que delícia!” — teria dito Jorge Luis Borges quando indagado sobre o assunto...
A morte é vida vivida,
A vida é morte que vem.
A vida não é outra coisa
Que a morte se exibindo.