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junho de 2007

Ser E Não-Ser, eis a resposta!

Publicado em 20 de junho de 2007 por Olegario Schmitt

O ser é tão pouco como o não-ser; o devir é e tam­bém não é”.
Herá­clito de Éfeso

O Ser Humano, assim como a exis­tên­cia das coi­sas, é essen­ci­al­mente dua­lista. Tal con­ceito pode ser encon­trado nas mais dife­ren­tes cul­tu­ras, ciên­cias, reli­giões e filo­so­fias. Para que algo real­mente seja (exista), é pre­ciso que haja outra coisa em con­trá­rio (bem/mal, claro/escuro), de forma que se esta­be­leça rela­ção referencial.

Sendo mais usual a busca por tudo o que é, ou seja, a ten­ta­tiva de cap­tu­rar a essên­cia ou aquilo que define uma pes­soa, lugar ou objeto, aqui se ini­cia longo cami­nho jus­ta­mente em dire­ção con­trá­ria: esse é dos pri­mei­ros pas­sos na ten­ta­tiva ainda embri­o­ná­ria de encon­trar aquilo que não é, a essên­cia do não-ser, “duplo” do ser.

Dessa forma DezA­ti­nos, série foto­grá­fica com­posta por dez ima­gens onde apa­rece o número 10 (dez), trata-se, de certa forma, de uma espé­cie de brin­ca­deira semió­tica atra­vés da trans­fi­gu­ra­ção dos sig­nos: com a jun­ção da foné­tica do signo “dez” àquela dos sig­nos foto­gra­fa­dos, tenta-se alcan­çar por via não-convencional (daí a expres­são “brin­ca­deira”), novos sig­ni­fi­ca­dos que, por sua vez, pode­rão ser ambí­guos, per­mi­tindo dupla interpretação.

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Olhos nos olhos, quero ver o que você faz”...

Publicado em 16 de junho de 2007 por Olegario Schmitt

Autor­re­trato

meus olhos atra­ves­sam as coi­sas
como se não vis­sem nada

meus olhos entram den­tro das pes­soas
mais fundo do que deveriam

meus olhos pro­cu­ram
a ver­dade oculta
a men­tira vil que tua boca escreve
e teus olhos não assinam

meus olhos caçam
as fra­que­zas escon­di­das
den­tro de você

meus olhos inva­dem
teus olhos.

apal­pam, medem, con­fe­rem
e guardam.

Ole­ga­rio Schmitt

In: O Amor & Outras Coi­sas Que Coçam, Ed. do Autor, 2004

Um ser pequeno, frá­gil, meio-animado”...

Publicado em 14 de junho de 2007 por Olegario Schmitt

Você sabe como é nas­cer sozi­nho,
Bebê tar­ta­ruga!
O pri­meiro dia a levan­tar seus pés pouco a pouco para fora da casca,
Ainda não des­perto,
E manter-se esten­dido na terra,
Ainda nem bem vivo.

Um ser pequeno, frá­gil, meio-animado.

Abrir sua boqui­nha bicuda, que parece como se nunca fosse abrir,
Como uma porta de ferro;
Levan­tar do chão a parte de cima do bico de fal­cão
E esten­der seu pes­co­ci­nho magro
E dar sua pri­meira mor­dida em algum peda­ci­nho de erva,
Sozi­nho, pequeno inseto,
Olhi­nhos bri­lhan­tes,
Ser lento.

Dar sua pri­meira mor­dida soli­tá­ria
E mover-se em sua caça lenta e soli­tá­ria.
Seu olhi­nho escuro e bri­lhante,
Seu olhi­nho de uma noite escura e per­tur­bada,
Sob sua cara­paça lenta, pequeno bebê tar­ta­ruga,
Tão indo­má­vel.
Nin­guém nunca ouviu você reclamar.

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atra­vés do abuso exas­pe­rante do mais barato meio de agi­ta­ção, a afe­ta­ção moral, bus­cam inci­tar o gado de chi­fres que há no povo” — Nietzs­che In: Gene­a­lo­gia da Moral

Publicado em 13 de junho de 2007 por Olegario Schmitt

Vacas Olhando para o Pró­prio Umbigo

Nii­lista, eu? Imagine!

Acre­dito pia­mente que a huma­ni­dade terá seu período de vacas gordas...

...todas indo para o brejo!

Acho que acho...

Publicado em 08 de junho de 2007 por Olegario Schmitt

Tudo o que eu acho...
são coi­sas perdidas.

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