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Arquivos para o mês de março

março de 2007

Coo­o­om­pre bato­o­ommm... coo­o­om­pre bato­o­ommm... coo­o­om­pre batooommm...

Publicado em 23 de março de 2007 por Olegario Schmitt

Sal­va­dor Dali — Remorso ou Esfinge Ato­lada na Areia

O capi­ta­lismo não é um ser, mas por vezes parece pos­suir essa mente pen­sante, sór­dida e extre­ma­mente inte­li­gente, nos dizendo de maneira inin­ter­rupta: “com­pre Batom, com­pre Batom, com­pre Batom”.

No entanto, é impor­tante lem­brar de que a idéia do “ter é igual ser” não é nova, tam­pouco fruto do capi­ta­lismo. Tudo parece ter come­çado em Adão e Eva, quando a ser­pente con­ven­ceu o femi­nino humano de que TER a maçã sig­ni­fi­ca­ria SER D’us. Desde então nos ilu­di­mos, desde então nos estre­pa­mos, sem nunca apren­der­mos a lição.

Não se esten­dendo muito no mérito dos avós dessa mazela — sejam eles Adão e Eva ou as Revo­lu­ções Fran­cesa e Indus­trial — pode-se dizer que tudo prin­ci­piou a ficar como está a par­tir da alvo­rada som­bria do século XX.

Na pri­meira década, Henry Ford inven­tou fast-ford e a tele­vi­são“a linha de pro­du­ção; na segunda, sur­giu o fast-food; e na ter­ceira, nas­ceu a tele­vi­são. Acre­dito que resto tudo, incluindo o estado em que nos encon­tra­mos agora, tenha sido ape­nas conseqüência.

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Tanta efi­ci­ên­cia...

Publicado em 23 de março de 2007 por Olegario Schmitt

Hoje foram pre­sas 606 pes­soas no Estado de São Paulo, em mega­o­pe­ra­ção da Polí­cia Civil.

Na lista, ladrões de lap­tops de Gua­ru­lhos, assal­tan­tes de Con­go­nhas, lará­pios de car­gas no Porto de San­tos, tra­fi­can­tes, seqües­tra­do­res, etc. etc. etc.

Aqui no Bra­sil tanta efi­ci­ên­cia jamais nos deixa satis­fei­tos, muito pelo con­trá­rio: fica­mos todos de cabe­los em pé ou pelo menos com a pulga atrás da orelha.

Considerando-se que essa ope­ra­ção levou 15 dias para ser pla­ne­jada e efe­ti­vada, não se entende o que terá acon­te­cido com os meses de janeiro e feve­reiro, quando ope­ra­ções como essa não ocorreram.

O que terá feito as águas de março rolarem?

De uma coisa tenho cer­teza: se a polí­cia fizesse uma ope­ra­ção des­sas por mês, não nos impor­ta­ría­mos nem um pouco que fol­gas­sem nos outros 15 dias restantes.

São as águas de março fechando o verão, tra­zendo sus­peita no meu coração.

Poema de Cas­tro Alves, por oca­sião do Dia da Poesia

Publicado em 14 de março de 2007 por Olegario Schmitt

I

Ó mãe do cativo! que ale­gre balan­ças
A rede que ataste nos galhos da selva!
Melhor tu farias se à pobre cri­ança
Cavas­ses a cova por baixo da relva.

Ó mãe do cativo! que fias à noite
As rou­pas do filho na choça da palha!
Melhor tu farias se ao pobre pequeno
Teces­ses o pano da branca mortalha.

Misér­rima! E ensi­nas ao triste menino
Que exis­tem vir­tu­des e cri­mes no mundo
E ensi­nas ao filho que seja bri­oso,
Que evite dos vícios o abismo profundo ...

E louca, saco­des nesta alma, inda em tre­vas,
O raio da espr’ança... Cruel iro­nia!
E ao pás­saro man­das voar no infi­nito,
Enquanto que o prende cadeia sombria! ...

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A his­tó­ria de uma infanta nada infantil

Publicado em 12 de março de 2007 por Olegario Schmitt

Cri­an­ças víti­mas das minas — Fran­cesco Zizola

gilda, Seus Olhos e Seu Sorriso


era uma nega fulô
à qual cha­ma­vam de gilda.
e para ela rir gos­toso
os três meni­nos faziam-lhe cóce­gas:
um na sola dos pés,
o outro no sovaco,
e o outro na barriga.

depois um dedo no umbigo,
catar pio­lho na flo­resta miúda de pelos...
e aquele cheiro
de fruta sucu­lenta e úmida
enchendo o ar
enchendo os sen­ti­dos
enchendo as cuecas...

em troca
eles lhe davam
as suas sementes.

e ela lhes devol­via
o seu olhar vazio
e o seu sor­riso
sem dentes.



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