dezembro de 2007

A seren­di­pi­dade con­tada atra­vés da maçã

Publicado em 05 de dezembro de 2007 por Olegario Schmitt

Em busca da luz-em-si

Publicado em 05 de dezembro de 2007 por Olegario Schmitt

Este tra­ba­lho não pro­cura ana­li­sar como o volume dos obje­tos é cons­truído atra­vés das inter-relações exis­ten­tes entre luz e som­bra, mas sim con­se­guir alcan­çar a pró­pria essên­cia da luz — a luz-em-si —, sem qual­quer outro ele­mento cons­ti­tuindo a ima­gem além dela mesma.

Sabendo-se que para alcan­çar a essên­cia de qual­quer coisa é neces­sá­rio aban­do­nar tudo o que é aces­só­rio à sua exis­tên­cia — che­gando enfim à dita coisa-em-si, onde ela, abs­tra­ta­mente, não é mais nada além de si mesma —, se per­ce­beu que a som­bra de uma mão, por exem­plo, tra­ria con­sigo uma série de sig­ni­fi­ca­dos, cada um deles nos dis­tan­ci­ando cada vez mais da essên­cia da luz a qual se buscava.

Dessa forma, optou-se pelo abs­tra­ci­o­nismo —“nenhum signo além da pró­pria luz” não havendo cone­xão direta com a rea­li­dade, libertou-se tam­bém do com­pro­misso com qual­quer tipo de signo além da pró­pria luz, pos­si­bi­li­tando que se alcan­çasse tanto maior liber­dade cri­a­tiva quanto inter­pre­ta­tiva. Con­ti­nuar lendo »

O que é Rea­li­dade... na Imagem?

Publicado em 05 de dezembro de 2007 por Olegario Schmitt

Escher — Autorretrato

O grande pro­blema na mai­o­ria das dis­cus­sões sobre foto­gra­fia — prin­ci­pal­mente as mais anti­gas — é que mui­tas vezes se toma esse tipo de arte sob o ângulo da “repro­du­ção do real”, não podendo exis­tir estul­tice maior do que essa. Mesmo que esse appro­ach possa vir de Bau­de­laire1, por exem­plo, não pas­sará disso: estul­tice. E até mesmo os gran­des gênios come­tem as suas.

Foto­gra­fia é uma repre­sen­ta­ção ico­no­grá­fica frag­men­tá­ria da rea­li­dade2. Só nesse con­ceito já se nota o quão dis­tante do real se encon­tra. Tendo, porém, “valor de real”, é jus­ta­mente isso o que causa toda a con­fu­são. Como é neces­sá­rio a exis­tên­cia física de algum objeto e da luz3 — efe­ti­va­mente eles esti­ve­ram lá naquele deter­mi­nado momento — se pensa que a ima­gem foto­grá­fica é a cópia fiel de algo que existiu.

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Lá Si!

Publicado em 18 de novembro de 2007 por Olegario Schmitt

Mário Quin­tana, Car­los Drum­mond de Andrade, Mário de Andrade, Jorge Amado, Fer­nando Pes­soa, Manuel Ban­deira, você... e eu.

Publicado em 05 de novembro de 2007 por Olegario Schmitt

Quin­ta­ni­mim
drum­mon­da­ria você
para aquele lugar
bom de estar,
para aquele lugar
entre o pas­sa­rão,
o pas­sa­ri­nho
e a pedra no caminho.

Mas, mais um
mari­a­mado,
nada falo:
ape­nas carlos-me
em tua pessoa.

Afi­nal, tenho andrado
poeta menor­mesmo
nos últi­mos boitempos...

Como seria o nosso mundo sem ima­gens fotográficas?

Publicado em 22 de outubro de 2007 por Olegario Schmitt

O mundo urbano con­tem­po­râ­neo sem a exis­tên­cia da foto­gra­fia é a tal ponto ini­ma­gi­ná­vel, que soa mais sen­sato gra­far “um mundo” em detri­mento de “o mundo”: só é pos­sí­vel men­su­rar sem foto­gra­fia um mundo que não este.

Ape­sar de as más lín­guas afir­ma­rem que “uma ima­gem vale por mil pala­vras”, se assim o fosse, não seria mais neces­sá­ria a exis­tên­cia da gra­fia e, con­seqüen­te­mente, desse mesmo texto: tudo aquilo sobre o que é aqui dis­cor­rido seria repre­sen­tado atra­vés de ima­gens. Não é neces­sá­rio muita ima­gi­na­ção para“uma ima­gem vale por mil pala­vras?” suben­ten­der que, dessa forma, não tar­da­ria em exis­tir novo alfa­beto, de certa maneira simi­lar ao egíp­cio, onde em vez de letras exis­ti­riam uni­ca­mente fotografias.

Se uma ima­gem não vale por mil pala­vras, o impacto cau­sado por ela, no entanto, pode sim ser con­si­de­rado no mínimo mil vezes mais pro­fundo: dife­rente de ler a des­cri­ção da cena onde um menino cata lixo para sobre­vi­ver, é ver a sua ima­gem no ato.

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Dei­xai toda a espe­rança, vós que entrais no Brasil

Publicado em 22 de outubro de 2007 por Olegario Schmitt

Esra Ersen — 27ª Bie­nal de São Paulo

Não se iluda: no arco da nossa porta verde-amarela, nem Gon­çal­ves Dias, nem Bilac, mas Dante, Canto III do Inferno: “Dei­xai toda a espe­rança, vós que entrais”.

O Bra­sil não tem jeito. A rea­li­dade é esta. Aceitemo-na tal qual ela é: dura, fria, amorfa como os cor­pos do mais novo aci­dente aéreo.

O que faze­mos quando um polí­tico inves­ti­gado por cor­rup­ção toma posse? NADA. O que faze­mos quando acon­tece mais um aci­dente aéreo? Con­ti­nu­a­mos tomando vôos no mesmo aero­porto e, assim como o pre­si­dente, mani­fes­ta­mos comi­se­ra­ções de alcova.

Todos “Dei­xai toda a espe­rança, vós que entrais” — Dantesabem que nada acon­te­cerá, por­que nada acon­tece mesmo. E não acon­tece por­que nin­guém faz nada: nem você. Não acon­tece por­que nin­guém está nem aí: recla­ma­mos e para­mos em mão-dupla, devol­ve­mos car­tei­ras per­di­das e joga­mos lixo no chão. Tudo não passa de uma grande festa! Ôba! Ôba! Rouba! Rouba!

A grande mai­o­ria que estufa o peito e diz que o Bra­sil tem jeito está na ver­dade con­fun­dida: isto que cha­mam espe­rança não é nada mais do que ilu­são. Por­tanto, aban­do­nar toda a espe­rança já é um bom começo — o ceti­cismo nii­lista pode ser obs­curo, deses­pe­ra­dor e tris­tís­simo, mas cer­ta­mente não é iludido.

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Ris­cando os erros

Publicado em 14 de outubro de 2007 por Olegario Schmitt

by Joe Lee

Ficou a impres­são de que o artigo ante­rior está ali, sujando meu blog. E tal­vez a morte do gerún­dio não valha tanto assim.

As moe­das têm dois lados, às vezes têm duas caras (lesando a coroa em dobro).

Na vida con­tem­po­râ­nea, ano­ré­xica de heróis, parca de mode­los ou exem­plos, ser dis­cí­pulo de Dió­ge­nes é tarefa cada vez mais ingrata, a “bene­vo­lên­cia” gover­na­men­tal não pas­sando de mera esmola atada a um fio.

Dessa forma, VOU ESTAR RIS­CANDO o artigo, no gerún­dio mesmo, não na ten­ta­tiva de ocul­tar um erro, mas na inten­ção jus­ta­mente de admití-lo.

E apro­veito a opor­tu­ni­dade para ris­car tam­bém outras palavras:

Bra­sí­lia
Cor­rup­ção
Deso­nes­ti­dade
Mau-Caratismo
Apatia

A ques­tão é: dessa vez, estou ris­cando o erro de quem?

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