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outubro de 2005

Para ti, “que me esva­zi­aste de coi­sas incer­tas, e trou­xeste a manhã da minha noite”...

Publicado em 03 de outubro de 2005 por Olegario Schmitt

Más­cara da Ale­gria Eterna

Pedro, Lem­brando Inês

Nuno Júdice


Em quem pen­sar, agora, senão em ti? Tu, que
me esva­zi­aste de coi­sas incer­tas, e trou­xeste a
manhã da minha noite. É ver­dade que te podia
dizer: «Como é mais fácil dei­xar que as coi­sas
não mudem, ser­mos o que sem­pre fomos, mudar­mos
ape­nas den­tro de nós pró­prios?» Mas ensinaste-me
a ser­mos dois; e a ser con­tigo aquilo que sou,
até ser­mos um ape­nas no amor que nos une,
con­tra a soli­dão que nos divide. Mas é isto o amor;
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fon­tes de todos os rios, mesmo
esse que mal cor­ria quando por ele pas­sá­mos,
subindo a mar­gem em que des­co­bri o sen­tido
de irmos con­tra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de che­gar antes de ti para te ver che­gar: com
a sur­presa dos teus cabe­los, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a pri­ma­vera lumi­nosa da minha expec­ta­tiva,
a mais certa cer­teza de que gosto de ti, como
gos­tas de mim, até ao fim do mundo que me deste.


In: Pedro, Lem­brando Inês, Ed. D. Qui­xote, 2001

Home­na­gem ao grande poeta santamariense

Publicado em 02 de outubro de 2005 por Olegario Schmitt

Luiz Gui­lherme do Prado Veppo (1932–1999)
Ilus­tra­ção: Felipe Stan­que Machado Junior

I

No pri­meiro dia, alguns homens
Pla­gi­a­ram a revolta dos anjos
E ins­ti­tuí­ram o Direito
Divino dos Reis;

No segundo dia, a menina-moça Maria
Que morava num pre­sé­pio de lata
Pas­sou a se cha­mar de Madalena;

No ter­ceiro dia, boi­a­ram pei­xes
Na pesca mila­grosa
Das minas submarinas;

No quarto dia, a água
Foi trans­for­mada em vinho
E os frus­tra­dos
Ama­nhe­ce­ram bêbados;

Con­ti­nuar lendo »

Todo mundo podia fazer pipi por­que o penico era bem ali

Publicado em 02 de outubro de 2005 por Olegario Schmitt

Cons­tru­ção da Cúpula Côn­cava do Senado Fede­ral
Arquivo Público do Dis­trito Federal

Era uma casa
Muito engra­çada
Não tinha teto
Não tinha nada
Nin­guém podia
Entrar nela não
Por­que na casa
Não tinha chão
Nin­guém podia
Dor­mir na rede
Por­que na casa
Não tinha parede
Nin­guém podia
Fazer pipi
Por­que penico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Na Rua dos Bobos
Número Zero.

Viní­cius de Morais

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