Arquivo - abril

Arquivos para o mês de abril

abril de 2005

Grata herança, a Lín­gua enche minha pança

Publicado em 22 de abril de 2005 por Olegario Schmitt

Retrato de Pedro Álva­res Cabral — Bibli­o­teca Nacional

nada a D. João VI
ou a Maria I, a Louca

mas a toda a Corte tres­louca
que não dor­mia de touca
obrigado

agra­deço aos jesuí­tas pela escola
em nome dos índios civi­li­za­dos
que não mais andam pelados

e a Car­lota Joa­quina
por não ter levado
nossa poeira na sola:
obrigado

em nome do pau-brasil
do ouro de Minas
e de tudo o mais
que nos foi levado:
obrigado

tam­bém pelo período colo­nial
que nos dei­xou sem força ou moral

e prin­ci­pal­mente pelo 22 de abril
em que Cabral des­co­briu essa pátria
obrigado

18/12/2004 — 21/04/2005

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Toda a terra tinha uma só lín­gua, e servia-se das mes­mas palavras”

Publicado em 16 de abril de 2005 por Olegario Schmitt

Toda a terra tinha uma só lín­gua, e servia-se das mes­mas palavras.

Alguns homens, par­tindo para o ori­ente, encon­tra­ram na terra de Senaar uma pla­ní­cie onde se esta­be­le­ce­ram. E dis­se­ram uns aos outros: “Vamos, faça­mos tijo­los e cozamo-los no fogo.” Serviram-se de tijo­los em vez de pedras, e de betume em lugar de argamassa.

Depois dis­se­ram: “Vamos, faça­mos para nós uma cidade e uma torre cujo cimo atinja os céus. Tor­ne­mos assim céle­bre o nosso nome, para que não seja­mos dis­per­sos pela face de toda a terra.” Mas o Senhor des­ceu para ver a cidade e a torre que cons­truí­ram os filhos dos homens.

Eis que são um só povo, disse ele, e falam uma só lín­gua: se come­çam assim, nada futu­ra­mente os impe­dirá de exe­cu­ta­rem todos os seus empre­en­di­men­tos. Vamos: des­ça­mos para lhes con­fun­dir a lin­gua­gem, de sorte que já não se com­pre­en­dam um ao outro.”

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É de comer pura ou é de pas­sar em cima do pão?

Publicado em 16 de abril de 2005 por Olegario Schmitt

Inter­ven­ção Digi­tal sobre Pictografia

O que é essa coisa a que cha­ma­mos rea­li­dade, afi­nal? Você pode até pen­sar que vive nela, mas isso não é ver­dade: o que é, por exem­plo, uma árvore?

— É um vege­tal, com­posto de raí­zes, tronco e galhos, folhas, flo­res, fru­tos e semen­tes — dirá o botânico.

— É um ele­mento mágico, mani­fes­ta­ção de Gaya — dirá o exotérico.

— É fonte de car­vão — dirá o carvoeiro.

— É a minha casi­nha — dirá o inseto.

Quem está certo e quem está errado? Todos e nenhum: a única maneira de abran­ger a rea­li­dade com­pleta da árvore é analisá-la, ao mesmo tempo, sob todos os pon­tos de vista pos­sí­veis, incluindo aí, obvi­a­mente, aque­les fora do nosso alcance inte­lec­tual e espiritual.

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Come­çar de novo, e con­tar comigo...

Publicado em 15 de abril de 2005 por Olegario Schmitt

Caí­ram as pedras de sonhos
que eu tra­zia ao pes­coço,
pre­sas a um colar.

Uma a uma rola­ram
pesa­das com meu pesar.

Por ser de pedra
é que caí­ram,
e eu nada pude fazer.

Por ser de sonhos
é que que­bra­ram,
e a mim só resta esquecer.

Terei porém outros sonhos,
farei um novo colar.

Tudo o que uma vez eu criei
posso mais uma vez inventar.

In: No Pé da Letra, Ed. Blo­cos, 1999

Sobre a mania das pes­soas em ver sig­ni­fi­cado espe­cial em tudo

Publicado em 15 de abril de 2005 por Olegario Schmitt

Estudo para a Série Pic­to­gra­fias

Pri­meiro, quero dei­xar claro que a inten­ção dessa refle­xão não é a de ques­ti­o­nar a exis­tên­cia de D’us, pois con­si­dero o Óbvio inques­ti­o­ná­vel. E D’us, para mim, será sem­pre uma ques­tão de obvi­e­dade, jamais de crença: não acre­dito que Ele existe, eu vejo que ele existe.

Minha inten­ção tam­bém não é a de dar nenhuma expli­ca­ção ou res­posta para qual­quer coisa, mas uni­ca­mente ques­ti­o­nar, cha­mar à reflexão.

É incrí­vel per­ce­ber o quanto temos a ten­dên­cia de pre­fe­rir a ver­são meta­fí­sica dos fatos, uma vez que a rea­li­dade pode se apre­sen­tar muito chata, sem roman­tismo nenhum.

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O grande ópio da minha vida sem­pre será o ócio

Publicado em 14 de abril de 2005 por Olegario Schmitt

Lem­brança da época em que eu vivia ato­lado em apu­ra­ções de saldo — e pen­sava, secre­ta­mente, na iro­nia do des­tino que era um poeta ato­lado em núme­ros —, posto aqui esse soneto liber­tá­rio, ver­da­deira catarse con­tá­bil, na asser­ção exata do termo.

Soneto Con­tá­bil

Eu con­fesso: odeio a Dis­tri­bui­ção
Do Lucro Líquido Sobre o Capi­tal Pró­prio,
Os Impos­tos de Renda e a Apu­ra­ção
Do Lucro do Exer­cí­cio, por­que o grande ópio

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Tudo nasce a par­tir da ação

Publicado em 13 de abril de 2005 por Olegario Schmitt

O amor é o fio
que faz girar
o cor­ru­pio da vida.

13/04/2005 — 12h40

Que lição de vida pode ser apre­en­dida a par­tir de um brinquedo?

Publicado em 12 de abril de 2005 por Olegario Schmitt

Buzz Lightyear do Comando Este­lar — Disney-Pixar Studios

Per­so­na­gem dos longas-metragens de ani­ma­ção grá­fica Toy Story, Buzz Lightyear é um astro­nauta de brin­quedo que acre­dita pia­mente con­se­guir voar de ver­dade e nada no mundo o con­vence de que o seu raio laser desin­te­gra­dor não passa de uma inó­cua luzi­nha vermelha.

Tendo fé cega em si mesmo e em seu poder, con­se­gue faça­nhas incrí­veis, sal­vando seus ami­gos das pio­res enras­ca­das além de, é claro, lutar con­tra o mal­doso Impe­ra­dor Zurg, ini­migo da hones­ti­dade e da justiça.

Buzz Lightyear do Comando Este­lar, “fé, força e cora­gem“um brin­quedo, per­so­na­gem de uma ani­ma­ção cômica vol­tada ao público infan­til, nos ensina a ter fé e cora­gem, acre­di­tando na sua pró­pria força inde­pen­den­te­mente do que seja dito em contrário.

Seu lema, “Ao Infi­nito e além”, demons­tra pro­pó­sito firme na vida (o infi­nito) e incon­for­mi­dade (lá che­gando, ir além). Buzz, o ami­gão valente de brin­quedo, tam­bém ensina outros valo­res impres­cin­dí­veis aos seres huma­nos de bom cará­ter, como auto-estima, res­peito, leal­dade e perseverança.

Sem esque­cer de que para o espí­rito sedento por luz os gran­des exem­plos podem estar em qual­quer parte, seja­mos nós mes­mos como peque­nos Buzz Lightye­ars de ver­dade e, parte do mesmo Comando Este­lar, levan­te­mos nos­sas cabe­ças rumo ao infi­nito, seguindo sem­pre além.

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