Arquivo - outubro

Arquivos para o mês de outubro

outubro de 2004

Por­que um pouco de amor não faz mal a ninguém...

Publicado em 24 de outubro de 2004 por Olegario Schmitt

Soneto do Amor Total

Viní­cius de Moraes


Amo-te tanto, meu amor... não cante,
O humano cora­ção com mais ver­dade...
Amo-te como amigo e como amante,
Numa sem­pre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor pres­tante,
E te amo além, pre­sente na sau­dade.
Amo-te, enfim, com grande liber­dade,
Den­tro da eter­ni­dade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, sim­ples­mente,
De um amor sem mis­té­rio e sem vir­tude,
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente,
Hei de mor­rer de amar mais do que pude.

Roteiro para esquete teatral

Publicado em 10 de outubro de 2004 por Olegario Schmitt

Esse roteiro é base­ado em fatos reais. Por esse motivo, os “per­so­na­gens” da his­tó­ria são tra­ta­dos por nomes gené­ri­cos como Pro­fes­sor e Aluno, preservando-se suas identidades.

Pro­fes­sor: Sou um ser humano excep­ci­o­nal e ótimo pro­fes­sor. Adoro ser cor­ri­gido, pois penso não ser o deten­tor de todo Conhecimento.

Aluno (em pen­sa­mento): Que legal, um Homem de ver­dade. Tão raro hoje em dia...

Pro­fes­sor (escre­vendo no qua­dro): A maçã é azul.

Aluno: Pro­fes­sor, eu já pes­qui­sei o assunto e a maçã é vermelha.

O Pro­fes­sor per­ma­nece em silêncio.

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É aquela velha his­tó­ria: de onde vim, para onde vou...

Publicado em 10 de outubro de 2004 por Olegario Schmitt

Agora fiquei intri­gado: se sei coi­sas que não aprendi nessa vida, que mais eu sabe­ria sem saber que sei?

Retorno às dúvi­das exis­ten­ci­ais da adolescência?

Dúvida Exis­ten­cial

(1990)

Quem sou

E o que sou?

Que importa,

Posto que sou

O que não sei que sou?!

E se eu for

Algo que não qui­ser ser...

Pra que saber?

In: O Amor & Outras Coi­sas Que Coçam, 2003

Nin­guém nasce sabendo?

Publicado em 09 de outubro de 2004 por Olegario Schmitt

Mão (Autor­re­trato)
Fundo: A Cor do Som de Uma Onda
Acrí­lica s/ vidro — Ole­ga­rio Sch­mitt (2003)

Inte­res­sante como as pes­soas podem tra­zer em si o conhe­ci­mento inato de algu­mas coi­sas. Fiquei medi­tando sobre isso hoje, depois de ter lido um tre­cho do Livro III de “O Mundo Como Von­tade e Como Repre­sen­ta­ção”, de Arthur Scho­pe­nhauer, onde ele dis­corre sobre a coisa em si de Kant e a idéia de Pla­tão. Como posso ter resu­mido as idéias bási­cas do texto de Scho­pe­nhauer — o qual eu ainda não havia lido — sobre Kant e Pla­tão, auto­res que ainda não li?

Há duas linhas de pen­sa­mento pos­sí­veis a par­tir daí: pela pri­meira, espi­ri­tu­a­lista, eu já con­te­ria esse conhe­ci­mento desde antes de nas­cer; pela segunda, mais cética, cer­tas coi­sas são evi­den­tes e pode­riam ser per­ce­bi­das por qual­quer pes­soa com sen­si­bi­li­dade mais ela­bo­rada. Como sou espi­ri­tu­a­lista e, prin­ci­pal­mente, não me con­si­dero capaz de pen­sar por mim mesmo à altura de Kant, Pla­tão, Jas­pers ou meu amado Scho­pe­nhauer, fico com a pri­meira opção.

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Ora­ção de São Fran­cisco de Assis

Publicado em 08 de outubro de 2004 por Olegario Schmitt

Plank! Que­brei a linha. Ainda bem que eu já disse, no dia 22/06/2004, que esse Blog não tem linha nenhuma e, no dia 06/09/2004, que todo dia é um dia especial.

O 04/10 — Dia de São Fran­cisco de Assis — pas­sou em bran­cas nuvens por aqui. Nada melhor que orar — e relem­brar São Fran­cisco — ate­nu­ando um pouco os sin­to­mas e res­pec­ti­vos efei­tos dos sinais dos tempos.

Senhor,
Fazei de mim um ins­tru­mento de vossa paz!
Onde hou­ver ódio, que eu leve o amor;
Onde hou­ver ofensa, que eu leve o per­dão;
Onde hou­ver dis­cór­dia, que eu leve a união;
Onde hou­ver dúvida, que eu leve a fé;
Onde hou­ver erro, que eu leve a ver­dade;
Onde hou­ver deses­pero, que eu leve a espe­rança;
Onde hou­ver tris­teza, que eu leve a ale­gria;
Onde hou­ver tre­vas, que eu leve a luz !
Ó, Mes­tre, fazei que eu pro­cure mais
Con­so­lar, que ser con­so­lado,
Com­pre­en­der, que ser com­pre­en­dido,
Amar, que ser amado.
Pois é dando, que se recebe,
Per­do­ando, que se é per­do­ado
E é mor­rendo, que se vive para a vida eterna!

Onde está a poesia?

Publicado em 08 de outubro de 2004 por Olegario Schmitt

Lugar Mágico — São Pedro do Sul/RS

Os poe­tas tem por hábito olhar um ria­cho buli­çoso, por exem­plo, e pen­sar “ó, que poé­tico o som da água boli­nando as pedras”... mas, con­ve­nha­mos, o som da água sobre as pedras, em si, não con­tém poe­sia alguma!

Não há poe­sia nas coi­sas ou na natu­reza, pois as coi­sas sim­ples­mente exis­tem, de forma abs­trata. “as coi­sas sim­ples­mente são, sem defi­ni­ções“A pró­pria essên­cia das coi­sas é neu­tra: o ria­cho sim­ples­mente corre por força da gra­vi­dade, faz baru­lho nas pedras por força do atrito físico, o que, por natu­reza, não é belo ou poé­tico — as coi­sas SIM­PLES­MENTE SÃO, sem definições.

Por ter­mos esse velho hábito de sem­pre pro­cu­rar as coi­sas fora de nós mes­mos é que pen­sa­mos que a poe­sia está nas coi­sas, na natu­reza, ou que D’us está lá fora... mas isso não passa de projeção.

pro­je­ção, s. f. Ato ou efeito de pro­je­tar; (Psiq.) trans­fe­rên­cia de culpa: meca­nismo psi­co­ló­gico com­pen­sa­dor que con­siste em atri­buir a outros os pró­prios sen­ti­men­tos, livrando-se o indi­ví­duo de res­pon­sa­bi­li­da­des e de con­fli­tos entre o desejo e o dever.

Por­tanto, não há ton­teira maior do que dizer que “há poe­sia no ria­cho” ou que “não há poe­sia no con­creto” “a poe­sia não está na natu­reza, não há poe­sia no ria­cho”(não con­fun­dir aqui “poe­sia no con­creto” com “poe­sia con­creta”): o cor­reto seria dizer “VEJO poe­sia no ria­cho” ou “NÃO VEJO poe­sia no concreto”.

A poe­sia não está na natu­reza: está no homem, ou seja, ela pode estar em todos os luga­res ou em lugar nenhum, depen­dendo não do que se vê, mas dos olhos — e da sen­si­bi­li­dade — para vê-la.

Tal­vez o ver­da­deiro men­digo não seja quem você pensa que é...

Publicado em 02 de outubro de 2004 por Olegario Schmitt

Nessa sel­va­ge­ria urbana em que vive­mos, você já deu esmola?

Há pou­cos dias, impres­si­o­nado pelo número de men­di­gos que encon­trei na rua quando vol­tava para casa, fiquei me per­gun­tando: é esmola mesmo que eles precisam?

Pre­ci­sam de emprego e de uma vida digna!, diria a mai­o­ria dema­gó­gica, sem levar em conta que mui­tos deles não tro­ca­riam a men­di­cân­cia por um emprego, um lar, uma família.

Você notou que nenhum deles usa sapa­tos? Já vi um de meias bran­cas, as solas per­fei­ta­mente lim­pas, mas onde esta­vam os sapa­tos? Já vi outro com o braço enges­sado e no outro dia vi-o nova­mente, só o gesso dessa vez estava no braço tro­cado. E o que pen­sar daque­les que osten­tam seus filhos, na inten­ção de con­se­guir a con­do­lên­cia do transeunte?

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Se você tivesse fígado... que hepa­tite, hein?”

Publicado em 01 de outubro de 2004 por Olegario Schmitt

Ela é uma meni­ni­nha, mas já tem 40 anos (com­ple­ta­dos no último 29/09).

Cri­a­ção de Joaquín Lavado, o Quino, é des­pre­zada por seu pró­prio “pai” desde a mais tenra infân­cia, sendo por ele rele­gada a segundo plano e con­si­de­rada “morta” em 1973. Quino ainda não con­se­gue enten­der o seu sucesso. Em entre­vista ao jor­nal Cla­rín, decla­rou: “Se ela ainda é lida como antes, para que con­ti­nuar desenhando-a? Uma vez me per­gun­ta­ram se eu não gos­ta­ria de ressuscitá-la. Res­sus­ci­tar sig­ni­fica que algo está morto”.

Ape­sar do des­prezo de seu cri­a­dor, a meni­ni­nha con­ti­nua tão viva quanto sem­pre na admi­ra­ção de seus fãs: como não apaixonar-se por essa bai­xi­nha de cabeça redonda, revo­lu­ci­o­ná­ria con­tes­ta­dora que odeia sopa e ao mesmo tempo é pro­funda ques­ti­o­na­dora do mundo, seus con­tras­tes e injustiças?

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