
dezembro de 2004
Todo ano um novo ano

Com quantos paus se faz uma canoa?

Nacionalismo
brasil sem pau-brasil sem pau-brasil sem pau–
cem
índios brazil
sem
brasil sem pau-brasil sem pau-brasil sem pau–
Porque um pouco de amor não faz mal a ninguém...

Ultravioletas
Então é assim o amor...
pensou com o nariz enfiado
no pescoço do seu sonho.
Depois chorou um pouquinho,
não que estivesse tristonho.
Chorou bem de mansinho
e inundou o peito do sonho
com as lágrimas do seu amor.
Olharam-se no fundo dos olhos,
ninguém sentiu-se sozinho...
Olharam-se no fundo dos olhos
e era tanto o seu carinho
que foram logo para o ninho
praticar o sentimento
das almas êxtase-em-flor.
Olegario Schmitt
Porque um pouco de amor não faz mal a ninguém...

Amo-te tanto, meu amor... não cante,
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante,
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade,
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude,
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente,
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Roteiro para esquete teatral

Esse roteiro é baseado em fatos reais. Por esse motivo, os “personagens” da história são tratados por nomes genéricos como Professor e Aluno, preservando-se suas identidades.
Professor: Sou um ser humano excepcional e ótimo professor. Adoro ser corrigido, pois penso não ser o detentor de todo Conhecimento.
Aluno (em pensamento): Que legal, um Homem de verdade. Tão raro hoje em dia...
Professor (escrevendo no quadro): A maçã é azul.
Aluno: Professor, eu já pesquisei o assunto e a maçã é vermelha.
O Professor permanece em silêncio.
É aquela velha história: de onde vim, para onde vou...

Agora fiquei intrigado: se sei coisas que não aprendi nessa vida, que mais eu saberia sem saber que sei?
Retorno às dúvidas existenciais da adolescência?
Quem sou
E o que sou?
Que importa,
Posto que sou
O que não sei que sou?!
E se eu for
Algo que não quiser ser...
Pra que saber?
Ninguém nasce sabendo?

Interessante como as pessoas podem trazer em si o conhecimento inato de algumas coisas. Fiquei meditando sobre isso hoje, depois de ter lido um trecho do Livro III de “O Mundo Como Vontade e Como Representação”, de Arthur Schopenhauer, onde ele discorre sobre a coisa em si de Kant e a idéia de Platão. Como posso ter resumido as idéias básicas do texto de Schopenhauer — o qual eu ainda não havia lido — sobre Kant e Platão, autores que ainda não li?
Há duas linhas de pensamento possíveis a partir daí: pela primeira, espiritualista, eu já conteria esse conhecimento desde antes de nascer; pela segunda, mais cética, certas coisas são evidentes e poderiam ser percebidas por qualquer pessoa com sensibilidade mais elaborada. Como sou espiritualista e, principalmente, não me considero capaz de pensar por mim mesmo à altura de Kant, Platão, Jaspers ou meu amado Schopenhauer, fico com a primeira opção.
Oração de São Francisco de Assis

Plank! Quebrei a linha. Ainda bem que eu já disse, no dia 22/06/2004, que esse Blog não tem linha nenhuma e, no dia 06/09/2004, que todo dia é um dia especial.
O 04/10 — Dia de São Francisco de Assis — passou em brancas nuvens por aqui. Nada melhor que orar — e relembrar São Francisco — atenuando um pouco os sintomas e respectivos efeitos dos sinais dos tempos.
Senhor,
Fazei de mim um instrumento de vossa paz!
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz !
Ó, Mestre, fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado,
Compreender, que ser compreendido,
Amar, que ser amado.
Pois é dando, que se recebe,
Perdoando, que se é perdoado
E é morrendo, que se vive para a vida eterna!
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